quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Carta Aberta de apresentação ao Blog "Politica & Afins"

Caríssimo Antônio e todos os queridos colaboradores do Politicas & Afins


Como bem sabes, ando assoberbado com as minhas atividades profissionais, que atualmente vem consumindo boa parte do nosso exíguo tempo. Aliás, Por falar em tempo, há décadas venho insistindo na idéia de que é preciso investir na educação do povo. Parece um pensar pueril, idealista, redundante. Mas não é caro amigo. Quando se fala em educação é preciso remeter-se à formação geral do indivíduo, e a partir de então, contagiar todo o tecido social, tornando a unidade deste corpo capaz de abstrair e elaborar melhor os inevitáveis conflitos que pairam sobre nossas vidas. Sim, digo nossas vidas, porque ninguém da educação que recebe escapa, seja ela de boa ou de má qualidade.

     No entanto é preciso evitar monitorá-la em termos apenas quantitativos, mas por seu complexo legado que dotarão a esta incipiente civilização brasileira, os componentes que poderiam forjar um verdadeiro “sentimento de nós”, como diriam os sociólogos. Valores estes que formaram nações que completaram o processo tecnológico em diversos países centralmente localizados, diminuindo em certo sentido, o fosso presente nas relações de capital e trabalho. Aliás, a mais-valia aqui na periferia do mundo capitalista é por demais perversa.  Por falar em sociólogos, não poderia deixar de falar [mal] do ex-professor e ex-presidente FHC. Este homem tivera sido um dos maiores responsáveis pela adulteração do “combustível intelectual” genuinamente brasileiro, generosamente doado por gentlemens como Paulo Freire e Darcy Ribeiro. Tudo em nome de seu pedante projeto pessoal e subserviente ao que se convencionou denominar Consenso de Washington: um grupo de alienados americanistas (do norte), que prescreveram para a América Latina, o estado mínimo; um ideário seguido à risca pelos chefes de Estado de todo resto deste rico e cobiçado continente.

      Assim, a educação, a saúde, a habitação e em certa medida a própria segurança pública, foram duramente preteridas da agenda programática dos sucessivos governos tucanos e dos seus asseclas (DEM/PPS, ETC.), em parte dos estados e municípios brasileiros, que aplicaram o mínimo possível de recursos na educação básica. Resultado: analfabetismo funcional, evasão escolar crônica por cerca de três décadas, violências e violações de uma forma geral, intolerâncias... Numa palavra, barbárie. E em convívio imediato e direto com os ditos “civilizados”. Pergunta-se: Aonde vamos parar? Para onde iremos desse jeito? Que país é este?

      Três questões elucubradas pelo meu ambivalente senso comum, na minha sofrida psique, há pelo menos quarenta anos.

       Nos os próximos trinta ou sessenta, sabe lá, comporemos alguns axiomas eternamente editados pela espécie humana: De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Arrisco tais proposituras por amor à minha espécie e tolerância aos infiéis. Afinal até mesmo no dito primeiro mundo (expressão em desuso, desde o fim do socialismo real e da queda do muro de Berlin, em 1989), paira a ausência de amor e sentimentos, diria, mais nobres... como “amor ao próximo”...olha eu tergiversando outra vez. Não adianta, sou irremediavelmente romântico, querido Antônio Siqueira, mesmo após aquele famigerado episódio do cruzado norueguês... lembra?

       Portanto não é de hoje que ouvimos falar que o “Brasil é um gigante adormecido”, “um país que vai pra frente”. Cadê esse dia que nunca chega?! Outra pergunta que não quer calar: Cadê o dinheiro do “Criança Esperança”? Calma, gente... estou só brincando de ser ingênuo...afinal, como diria o vendido (ou comprado), sei lá, do Arlindo Cruz, “isso é globalização”. Ou seria alienação? Falta de educação. de instrução...de compreensão...ou lá o que seja.

    Abisai Leite
    Professor de História SEEDUC-RJ


* Extensivo aos, também, queridos colaboradores: Mariza Lourenço, Luis Junior, Alice Nagai, Luiz Felipe Leite e Silvia Schroeder.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Transparência, combatividade e dignidade

Por Antonio Siqueira do Rio de Janeiro


 


   









      No final da manhã da ultima quinta-feira tive um encontro inesperado e, ao mesmo, tempo, bastante proveitoso em frente ao Conselho Regional de Educação do meu bairro com o Professor Abisaí Leite, ou simplesmente Bisa. Amigo de longa data, ex-colega da escola secundária, musico muito criativo e de percepção inigualável de gêneros, estilos e seguimentos. Atualmente, Abisaí Leite se desdobra como professor de história da humanidade da rede publica, historiador, agente administrativo e ativista. Suas atividades no movimento Transparência Brasil sempre foram acompanhadas por este que vos escreve:

VALORES BÁSICOS:

* Apartidarismo
* Coragem
* Ética
* Imparcialidade
* Independência
* Justiça
* Responsabilidade social
* Transparência
      
      O momento que o Brasil e a América Latina atravessam, exige total atenção no que concerne às transições e transformações paradigmáticas em quase todos os setores da atividade humana, se considerar-mos os costumes e as tradições presentes na cultura das nações em desenvolvimento. A desigualdade social é fato e está aí a olhos vistos, não há crescimento sustentável, a cultura não acompanha o progresso e o desenvolvimento e a corrupção é um câncer em metástase permanente. Abisaí é um ferrenho e incansável combatente das mazelas que ferem tão profundamente o Brasil como um todo e agora colabora para a Política & Afins. Seja muito bem vindo, Professor; o espaço é seu.

     O Mensalão prescreve em 2012, é o que parece. Ontem ouvi de um especialista que o Mensalão pode continuar a ser julgado até 2014. Não cabe aí um palavrão? Um insulto? Façamos isto num botequim, que é o lugar mais apropriado. A verdade é que esses parlamentares entram e saem ano, permanecendo lá e os que entram pelo voto do povo anfíbio e quadrúpede, acabam tirando do serio o mais pacifico dos pensadores. Além do salário líquido, que daria para sustentar a merenda escolar de 10 escolas municipais ou estaduais, esses vermes recebem, comes, bebes, cheires, e se os banheiros não estiverem lotados, as comissões e os jetons de costume. Automóveis para as testemunhas e passagens de avião para a maioria que não vive em Brasília. Há aqueles que gostam de caronas e jatinhos executivos e, num arroubo ‘hormonio-feromonial’, manifestam uma excitação incontrolável pela mandatária da nação. Esses podem acabar sem seus testículos ou, na pior das hipóteses, sem suas cabeças mesmo. Zangões acabam assim, invariavelmente; faz parte da cadeia, do ciclo de vida  de qualquer inseto ou parasita que se preze.

      Cabe também uma pergunta: Pergunto-vos, leitores, como classificariam o fato de o Mensalão (que vem tendo a sua popularidade empanada pelo CPMF (que voltará com força total), CTT, Vale Ração e Fome Zero, pode continuar sendo julgado até 2014? Cabe um insulto: Algo assim como um “Vai trabalhar, vagabundo!” E para não dizer que não se fez nada, criou-se a Medalha de Honra à Ética, Jader Barbalho. Sim... Ele está de volta, acreditem!

      O que mais aterroriza é a mídia geral. A mídia que chega aos pobres, aos que não tem pra onde correr e veem num aparelho de TV a salvação de suas almas. O diálogo entre Pedro Bial e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho no Aglobalhado Altas Horas do srº Sem Noção, Serrgginho Groisman, nos remete a um Brasil miserável, construído e constituído sócio-culturalmente por uma ditadura militar capitaneada com que se teve de pior em termos de material humano por estas bandas. Não cabe aqui mais nenhum comentário, pois o estômago é fraco e o ano que se inicia não será fácil para ninguém. Cabe apenas o apelo dramático não de um, mas de alguns milhões de seres que ainda primam pelo bom senso: DESLIGUEM A REDE GLOBO DE SUAS VIDAS... Aliás, delete a TV Aberta de sua vida para que tu não te sintas mais miserável ainda, prezado leitor! Faça um jantarzinho, convide a sua mulher para uma reflexão e ligue o rádio. O que fazer com as crianças? Inicie o seu filho ao bom hábito da boa leitura. Conselhos utópicos estão longe de ser proibidos, mas ... Vai que pega!


Notas:

* O Rio de Janeiro precisa se livrar de Eduardo Paes. Um prefeito que apóia ONGs ao incentivar a privatização e a precarização do sistema de saúde não pode ser uma pessoa séria. Um Governo probo jamais pode ir contra os concursos públicos.


* Todo início de ano, trocam-se os votos de felicidades pela tragédia mais que anunciada nas regiões serranas. Lamentavelmente, no Brasil, as providências são na base do improviso. Quando as chuvas param, o inferno continua, pois a burocracia e, não raro, o peculato, impedem o socorro. Sugestão da semana: Mantenham-se longe dos políticos e que se se institua a cultura dos mutirões.

domingo, 18 de dezembro de 2011

as crueldades de cada dia

sou advogada e atuo na área penal. sou advogada e meu papel não se limita à defesa dos direitos de outros. antes disso persigo a justiça. sou contra o arbítrio, o pré-julgamento, contra qualquer tipo de execução sumária. respeito a constituição e o estado democrático de direito. luto por isso e vou morrer lutando.

mas sou humana, antes de tudo. e também me enojo. e também me revolto contra qualquer tipo de barbárie. e não me refiro ao crime comum e com o qual eu, como advogada, convivo em meu dia a dia profissional. embora todo tipo de crime, o patrimonial, especialmente, seja responsável pela crescente intranquilidade social, tenho convicção de que, para crime assim, existe tipificação, condenação e pena adequada. existe justiça.

o que me dá ânsia, me provoca náuseas, é a barbárie do homem comum, do homem de bem (?), é a barbárie subterrânea, entre quatro paredes, e inviolável. (sim, porque na minha casa ninguém entra, ninguém sabe o que faço, nem do que sou capaz de fazer). e sob o sagrado manto da inviolabilidade, sigo fazendo o que quero, sigo espancando e matando meu cão, agredindo meu filho, desrespeitado meus pais idosos, acessando a internet e difamando pessoas. e, lá fora, sou mulher e homem de bem, carrego meus apetrechos, minha bíblia, mantenho meu nome limpo, sou funcionário exemplar. sou do bem.

e. lá fora, existe alguém que sabe de mim, que coleciona meus atos de crueldade através de uma câmera, mas que prefere brincar e acha bonito publicar meus atos em redes sociais, e acha legal ver os contadores de acessos rodarem enlouquecidamente. existe alguém sim, sem nenhum compromisso com a vida alheia, sem nenhuma noção entre certo e errado.

e existimos nós, homens e mulheres de bem, que seguimos tranquilamente nossas vidas, sem nos darmos conta de que, ao lado, bem próximas, criaturas sofrem entre quatro invioláveis paredes, e que nossos ouvidos somente escutarão o que nos dará prazer e nossos olhos somente enxergarão aquilo que não incomodará.

existimos e isso me dá náuseas.

mariza lourenço

[imagem Digital Vision]

domingo, 4 de dezembro de 2011

acerca de futebol... *;)

Vai que é sua, papai!


Quando o irmão nasceu penduraram um par de chuteiras e uma camisa do Palmeiras na porta do quarto. A menina ficou preocupada. O Palmeiras era o time do coração do pai e isso só podia significar uma coisa: ela acabara de perder o trono para um gorducho feio, careca e desdentado. Até chaveiros com as cores do time foram distribuídos na maternidade. Enquanto, no berço, o gorducho arrotava e dormia o sono dos inocentes, um papai orgulhoso traçava planos para a primeira visita de ambos ao Parque Antártica. Que fossem felizes para sempre!, pensou a menina, com vontade de arrumar as malas.


A vida, assim como o futebol, revelou-se, nos anos seguintes, uma bela "caixinha de surpresas". Para decepção do pai, o bebê cresceu caído de amores por outro time e passava os dias cantando estridentemente: Clube Atlético Mineiro, galo forte, vingador!. Não restou, então, ao pai, outra saída senão conformar-se com a companhia da filha para assistir às partidas de futebol. A menina, sempre muito quietinha, sentava-se no sofá ao lado do pai e, de vez em quando, perguntava:


- Pai, o que é zaga? Tava impedido por quê, pai? Foi falta, pai? Pai, onde fica a grande área? E a pequena?


A maioria das perguntas, ela as fazia para merecer um tico de atenção que fosse daquele homem sério. Durante toda a vida sentou-se ao lado dele para, juntos, assistirem ao futebol e, durante toda a vida, repetiu as mesmas perguntas bobas. Nunca fez questão de saber se fulano estava na linha de impedimento no momento do gol, porque se o pai lhe dizia que não estava ela acreditava.


Trinta anos depois, a cena, como num filme, se repetia, só que desta vez com sabor de antecipada saudade. O pai estava morrendo e o time do coração nunca estivera tão mal colocado num campeonato brasileiro.


Ela falou baixinho:


- Ih, pai, este ano nosso time... Sei não.


Ele a olhou daquele jeito condescendente de quem diz "você continua não entendendo nada de futebol, mas eu te amo..."


Com um gesto de mão pediu que a menina desligasse a TV. A partida ainda não havia terminado, mas ele já estava na prorrogação, com o tempo esgotado e cansado de jogar.


Morreu no dia seguinte, desconhecendo se o time levaria, ou não, o título aquele ano. Não levou.


E a menina?


A menina quase morreu de dor, mas aprendeu com o tempo que, independente do lugar para onde tenha ido o companheirão, seu pai, como se diz no jargão futebolístico, já entrou marcando gol de placa. Grande jogador que havia sido nos campos da vida.


mariza lourenço
[imagem Ekaterina Nosenko]

terça-feira, 22 de novembro de 2011

zapeando

Stella

Se existe uma despesa da qual não abro mão é o pagamento mensal de minha tv por assinatura, muitos dos filmes que passam no circuito estrangeiro e alternativo e que eu não consigo assistir, invariavelmente chegam às telas através da tv paga.

Gravo todos e me programo para assisti-los aos finais de semana, o que me rende momentos de muita diversão e aprendizado, porque é fora dos grandes circuitos dos filmes comerciais que garimpamos verdadeiras jóias culturais, assim entendidas por outras línguas, outros costumes e gente interessantíssima.

Semanas atrás me prendeu a atenção, do começo ao fim, um belíssimo e delicado filme francês, cujo título leva o nome da protagonista, uma menina transitando entre a pré-adolescência e a adolescência. E não, não se trata de mais um daqueles filmes escolares, com cenários em shoppings e lanchonetes, entre baladinhas e celulares. A década é a de 70, com pôster de Alain Delon pregado na parede do quarto da protagonista e músicas francesas gostosíssimas.

Stella é uma menina em adequação, mutante, como todas de sua idade e sua (aparente, vejam bem) rebeldia faz um contraponto interessante à rigidez do colégio em que estuda. Mas Stella é, também, surpreendentemente madura ao lidar com os frequentadores do bar meia-boca de propriedade de seus pais, um casal maluco e passional.

Stella é uma garota deliciosa que ganha força com a interpretação da atriz Léora Bárbara; aliás, o elenco todo é ótimo, com destaque para o ator Guillaume Depardieu, morto precocemente aos 37 anos, um mês antes da estréia de Stella. Guillaume, nesse filme, interpreta um dos frequentadores do bar e dispensa à menina um tratamento carinhoso, quase paternal, bonito de ver. Ressalte-se que o bar e seus frequentadores poderiam compor perfeitamente um outro filme, mas é nesse que estão, e tá tudo bem, porque tudo se integra em rica harmonia.

Destaque à parte e, primordial, em minha opinião, é a direção competente de Sylvie Verheyde, responsável também pelo roteiro. Falar nisso, Stella é a Sylvie garota.

E mais eu não conto pra não correr o risco de estragar as deliciosas andanças da protagonista, que perambula o tempo todo entre a vontade de ser aceita e as descobertas comoventes que, suponho, acabaram por transformar definitivamente sua vida.

Portanto, para quem quiser assistir, fica aí a dica de um excelente filme.

Ficha técnica:
Título original: (Stella)
Lançamento: 2008 (França)
Direção: Sylvie Verheyde
Atores: Léora Barbara, Mélissa Rodriguez, Laëtitia Guerard, Karole Rocher.
Duração: 103 min
Gênero: Drama



mariza lourenço

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A herança maldita


Lupi e suas mentiras descabidas   
Por Antonio Siqueira


MENTIROSO
 



















O Ministro do Trabalho, Carlos Lupi é um  retrato fiel do pós chaguismo e da vida do Brasil  da Era Lula; Resolvendo ou não suas questões à bala, Lupi é mentiroso.

Lupi mentiu na semana passada ao dizer que não conhece o gaúcho Adair Meira, dono de três ONGs que têm contratos milionários com a pasta. Conforme revelo VEJA,  Adair providenciou um avião King Air, de prefixo PT-ONJ, para que Lupi cumprisse uma agenda oficial em sete municípios do Maranhão, em dezembro de 2009.

No sábado, numa tentativa de reagir ao fato revelado por VEJA, Lupi não só ratificou a mentira como decidiu ampliá-la, num comunicado divulgado a toda a população. No texto, Lupi afirma que viajou pelo estado a bordo apenas de aviões Sêneca, providenciados por dirigentes do PDT.

Chegou a divulgar fotos dessas aeronaves em aeroportos do interior rodeadas de populares. As fotos não provam que Lupi desembarcou ou embarcou sempre em Sêneca. Nem poderiam. Fotos divulgadas hoje pelo portal www.grajaudefato.com.br mostram o ministro desembarcando no município de Grajaú justamente no King Air providenciado por Adair Meira.

E não apenas Lupi, como também o ex-secretário de Políticas Públicas de emprego do Ministério Ezequiel Nascimento. Ezequiel foi quem contou a VEJA que coube a Meira, dono das ONGs que fraudaram o governo, a pagar o tour maranhense de Lupi. Abaixo, as fotos que derrubam a farsa do ministro.

O PDT já se movimenta. O debate fértil gira agora, em torno, do nome que será indicado no pleito de substituição do comando da pasta. O Partido dos Trabalhadores, retentor do comando da pasta durante o primeiro governo de Lula, demonstrou interesse em indicar o próximo ministro. As últimas informações apontam que a insistência republicana do Partido Democrático Trabalhista (PDT) de manter consigo o comando da pasta, já pontuou os três nomes mais solicitados para a substituição de Carlos Lupi. São eles André Figueiredo (PDT/CE), Brizola Neto (PDT/RJ) e João Dado (PDT/SP); todos farinha da mesma mandioca, diga-se aqui, doa a quem doer. Fisiologismo de carreira a serviço da herança maldita deixada para Dilma Roussef.





O desmentido








sábado, 8 de outubro de 2011

Denunciar a violência já é um ótimo começo


A reação só acontece se houver ação

   Por Antonio Siqueira
   Do Rio de Janeiro



@image_Steve McCurry





    








     
      Muito se fala sobre a campanha do Dia das Crianças da Rede Social de Mark Zuckerberg, o disputado Facebook. Especulou-se de tudo um pouco, inclusive que seria um plano que partiu de um possível grupo de pedófilos que freqüentam a rede para ‘sei lá o quê’; Boataria que não surpreende numa rede com mais de 400 milhões de usuários em interatividade direta. A verdade é que em 24 horas, 100 mil pessoas mudaram suas fotos do avatar por um personagem de desenho animado para aderir a uma campanha contra a violência infantil. A ação foi lançada pelo blog Insoonia e apoiada pela empresa de marketing O Melhor da Vida, e pede que usuários da rede social troquem seu perfil pela imagem de um personagem de desenho animado ou de história em quadrinhos. A idéia é manter a nova foto até o Dia das Crianças. Eu, como todo escriba louco que se preze, tenho Facebook e o meu Cascão, o popular personagem malandríssimo e que não gosta de banho do genial Mauricio de Souza, está lá lépido e fagueiro.

      A iniciativa é muito nobre, apesar de partir de empresários que exploram o que podem e o que não podem da doença consumista do cidadão moderno. É um protesto pacífico e que traz um bom astral que não tem preço. Porém, é preciso muito mais do que uma campanha plantada no coração do capitalismo digital. Dezoito mil crianças são vítimas de violência doméstica por dia só no Brasil, segundo os velhos dados mal contados da UNICEF. A UNESCO apresenta dados idênticos, mas no meu caso, fica difícil confiar em uma instituição que emprega embaixadores como Renato Aragão, ou Didi Mocó, ou seja, lá o que for. Ainda o incumbem de arrecadar dinheiro para causas que mal servem como paliativo numa situação quase terminal. E associar a imagem deste cidadão global a dinheiro é como incumbir à raposa a função de cuidar do galinheiro. Como tudo neste país, diga-se de passagem. E não é somente sentado à frente de seu computador e se enchendo de refrigerante, comendo muito bem e engordando que você mudará algo.

      Criamos o monstro para que nossos desejos vaidosos se façam presentes e realizados; depois doamos 10 Reais inclusos na conta telefônica e que tenhamos uma noite tranqüila de sono e a próxima missa de domingo. Não preciso ir muito longe e nem sair da minha varanda, onde manuscrevi este artigo, para detectar a miséria e a carência infanto-juvenil; E como achamos tudo isso muito normal em pleno século XXI, não é mesmo? Crianças que deveriam estar estudando, trabalhando nas piores condições, exploradas por comerciantes que denuncio há algum tempo, mas que vêem a impunidade como alicerce seguro para esse crime bárbaro. Crianças mendigando nos sinais de transito, nos restaurantes que neste bairro não são poucos. O Brasil e principalmente, o Rio de Janeiro, transformaram-se num gerador descontrolado de criminosos comuns. O sucateamento da educação foi o principal agente corrosivo que provocou esta tragédia gigantesca, isso aliado à pobreza e a miséria das regiões de periferia é como uma ogiva de destruição incalculável.  E a definição de Pobreza é simples: significa não ter casa decente nem roupas limpas. Pobreza significa não ter água limpa para beber nem comida boa para comer. Pobreza significa não ter escola, hospital, nem médico. Um gigantesco portal escancarado para que o narcotráfico adote esses menores miseráveis e as transformem em milhões de vidas marcadas para morrer. Morrem nesse combate de um lado ou de outro nas fronteiras invisíveis que demarcam todas as ruas, mas, principalmente, pelos becos das favelas. Esses pequenos seres, quando sobrevivem, perdem pedaços, membros... Perdem a alma.

      Discute-se muito mais a pena de morte e a maioridade penal do que a recuperação da infância e da adolescência e, conseqüentemente, de uma nova sociedade Os parlamentares bisonhos que não acreditam na educação e no potencial humano ressuscitam no Congresso algumas dessas bombas: Propostas de endurecimento de penas para jovens em conflito com a lei, incluindo o clichê da redução da idade de responsabilização penal. Rebaixar a idade parece solução, mas é gasolina no fogo: Se o crime organizado busca menores de 18 anos para suas fileiras porque a lei é para eles “menos dura, mais educativa”, ao rebaixar a idade de responsabilidade penal os jovens que serão atraídos ao crime serão os ainda mais jovens. E numa sociedade viciada em consumo de grifes e modismos catatônicos, o monstro tende a devorar tudo que estiver em volta e a essa guerra carregada de equívocos será sempre uma sucessão de batalhas inglórias.

      Mas não se deve esperar nada do Governo, seja ele qual for, neste Brasil falido sócio-culturalmente e desigual em todos os seguimentos sociais e econômicos. Principalmente no que concerne à educação e cultura para o seu filho ou qualquer criança. É possível sim, despertar nestas mesmas crianças o hábito da leitura tirando proveito de todos os milhares de títulos que existem nas prateleiras e da necessidade de ampliar os horizontes dos pequenos com uma literatura livre das amarras da super proteção e do mundo apenas para consumo. E proteger essas crianças de qualquer adulto opressor, denunciar o seu vizinho que espanca o filho e violenta a mãe dele já é um bom começo. Depois iremos todos comemorar com personagens de histórias em quadrinhos e desenhos da TV, não importando se querem nos vender e empurrar mais lixo mercantilista goela a baixo. O consumismo sempre haverá de existir, até que os últimos seres humanos devorem a ultima maçã e bebam o ultimo gole d’água, a morte um dia chega para todos. Que Deus salve as nossas crianças e que o ajudemos a cuidar para que momentos como o registro desta foto do genial fotógrafo Steve McCurry, sejam cada vez mais raros.


Fontes:    Issoonia Blog         UNESCO             Time Magazine


Imagem: Steve McCurry, o mesmo reporter que fotografou a menina afegã que foi capa da Revista Time.



* Antonio Siqueira é articulista, musico e critico de arte





 


DISQUE DENUNCIA:

Rio: (21) 2253-1177
SP: (11) 6224-3040 ou 0800-156315
Bahia: 0800-71 01 90
BH: 0800 770 3035
ES: (27) 3222-8144;
Goias: (62)271-7000 e por aí vai...