sexta-feira, 23 de maio de 2014

A Rússia não precisa da Europa, tampouco dos EUA



Por Antonio Siqueira - do Rio de Janeiro


Parceria




















     A China é o parceiro comercial mais importante da Rússia: cerca de dois terços das importações chinesas do país são petróleo ou gás natural. Um novo acordo bilionário de exportação de petróleo e gás, selado nesta quarta-feira entre os dois países, reforça a importância desta relação. É um acordo que vinha sendo forjado há muito tempo, com os chineses hesitantes sobre os custos. Mas os valores contam apenas parte da história. O acordo acontece em um momento em que as tensões entre a Rússia e o Ocidente aumentaram, principalmente por causa da crise na Ucrânia.

     E o problema não é só a Ucrânia: há diferenças fundamentais entre os dois lados a respeito da Síria e sobre a direção para a qual o presidente Vladimir Putin está conduzindo o país. De fato, em alguns momentos Putin parece estar posicionando a Rússia como um polo alternativo em relação ao que ele parece considerar valores decadentes do Ocidente. Portanto, o acordo entre a estatal russa Gazprom e a chinesa Corporação Nacional de Petróleo pode simbolizar um momento importante de transição, quando, tanto em termos econômicos quanto geopolíticos, o olhar da Rússia começa a se volTar mais para o Oriente do que para o Ocidente.

     Mas a “guinada oriental” da Rússia também tem seus problemas. Mesmo que o país se considere uma potência “eurasiática” em termos geográficos, Pequim é claramente o ator em ascensão. O papel da Rússia é de um importante fornecedor de energia – o país também vende quantidades significativas de petróleo e gás para o Japão e a Coreia do Sul -, o que lhe permite uma participação importante na região. O acordo, entre a estatal russa Gazprom e a Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC, na sigla em inglês), foi negociado durante dez anos.

     A Rússia vem tentando encontrar mercados alternativos para o seu gás natural, diante da possibilidade de sanções europeias por causa da crise na Ucrânia. O valor oficial do acordo não foi divulgado, mas acredita-se que seja de mais de US$ 400 bilhões (R$ 884 bilhões). O novo contrato deve garantir o envio de cerca de 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano para a China, a partir de 2018.

     Mas isso também pode ser encarado de maneira diferente: uma tendência que enfatiza o papel crucial das exportações energéticas nas finanças russas – uma dependência que pode facilmente se tornar tanto uma fraqueza quando uma força.

     De fato, o tempo que foi necessário para que Moscou chegasse a esse acordo com Pequim pode mostrar com quem está o real poder de negociação. Em nível estratégico, a Rússia parece estar reforçando seus laços militares com Pequim. Exercícios navais conjuntos estão sendo realizados neste mês. Mas dada a miríade de tensões na região causadas pela escalada marítima da China e sua crescente disputa em questões regionais, uma aliança mais próxima com Pequim pode ser pouco interessante, já que pode dificultar o avanço nas relações com outros atores regionais, como o Japão.

     O momento em que esse acordo foi feito reforça inevitavelmente seu significado geopolítico, mas ainda é muito cedo para delinear as verdadeiras consequências da crise ucraniana. Para começar, não sabemos exatamente como ela vai terminar. Moscou pode ter desistido de uma intervenção militar em grande escala, mas é difícil enxergar qualquer mudança na visão de longo prazo de Putin para uma Ucrânia enfraquecida como um Estado-tampão entre a Rússia e o Ocidente.

     Diferentes afirmações estão sendo feitas no momento: que a era pós-Guerra Fria chegou ao fim; que os países europeus certamente tentarão reduzir significativamente a dependência da energia; que a missão principal da Otan foi reafirmada e que a aliança militar ocidental teve sua vida útil estendida. Uma mudança de foco da política russa em direção ao Oriente pode ser parte disso.

     Todas essas afirmações podem ser verdadeiras, mas ainda é cedo para dizer. A Rússia continua sendo, em parte, uma potência europeia, ansiosa por salvaguardar os direitos das minorias em uma variedade de países na região que o país considerava seu “exterior próximo” ou seu quintal. Isso, também, não deverá mudar. A Europa precisa sim, por demais, da Rússia. E deveriam repensar atitudes unilaterais em detrimento a Washington e pôr as barbas de molho.


fonte: bbcworld


domingo, 18 de maio de 2014

Lula quis fazer uma borboleta e produziu um morcego

Por Antonio Siqueira - do Rio de Janeiro



                                   Let it be ... and fuck


















Todos os dias me vem à lembrança a figura do Lula oferecendo o Brasil para sediar a Copa de 2014 com aquele ar de Moisés malandro levando o povo à terra prometida. Entre os anos de 2003 e 2007, o governo brasileiro suou o topete para alcançar o espetacular objetivo. Antes da Copa da África do Sul, a propósito do “Let it be! (Pois que seja!)” com que o bispo Desmond Tutu respondeu aos jornalistas que lhe perguntaram se os estádios sul-africanos não se transformariam em elefantes brancos: “A FIFA impõe aos países eleitos para acolher seu empreendimento exigências que só se cumprem despejando bilhões de dólares nos seus cofres, nas betoneiras das construtoras e nos altos fornos das siderúrgicas. Se fosse bom negócio, não faltariam empreendedores interessados em bancar a festa porque sobra no mundo dinheiro com tesão para o crescei e multiplicai-vos." Brilhante!

Os delírios de grandeza e a notória imprudência do líder máximo do petismo nacional mobilizaram a opinião pública que aceitou a Copa como um dos "símbolos" do Brasil Potência Emergente. A maior parte do povo brasileiro, do mesmo modo como espera o último dia de qualquer prazo para fazer o que deve, esperou o último ano anterior ao evento para perceber o descompasso entre o oneroso Brasil da FIFA, para inglês ver, e o carente Brasil dos brasileiros. E aí, alguns pularam, irresponsavelmente, do oito para os oitocentos: “Não vai ter Copa!”. Como não vai ter Copa? Vai ter, sim, e não serão alguns milhares de meliantes presunçosos que vão impedir a realização do evento. A estas alturas, com o pouco de vergonha que nos reste na cara, faremos a Copa.



Quem pariu a Copa que a embale



Lula quis fazer uma borboleta e produziu um morcego. Os espaços que nestes dias a mídia do resto do mundo dedica ao Brasil, em vez de exibir as maravilhas nacionais como sonhava o Lula, estão tomados por severas admoestações aos viajantes sobre os riscos de vir ao nosso país. Nosso cotidiano, descobrem, é assustador. A potência emergente foi tomada de assalto pelo crime organizado, tanto nos últimos andares do poder, no grande mundo, quanto no submundo. É só ligar a TV no canal certo e assistir aos noticiários do horário noturno para nos depararmos com cenas que ora lembram ocorrências de países em guerra, ora nos nivelam com as mais atrasadas republiquetas da África Subsaariana.

Se Lula, se Dilma, se o petismo dominante pretenderam transformar a Copa numa excelente oportunidade para o marketing pessoal, político e – até mesmo – nacional, seus burros empacaram dentro d’água. Foi mal, para dizer como a gurizada destes tempos. A atualidade brasileira, a violência e a insegurança de nossas ruas fazem lembrar o que Eça de Queirós escreveu numa crônica de 1871 quando se falava, em Lisboa, sobre os turistas que viriam à terrinha com a construção de uma ferrovia ligando Portugal à Espanha. Escreveu então o mestre lusitano: “A companhia dos caminhos de ferro, com intenções amáveis e civilizadoras, nos coloca em embaraços terríveis: nós não estamos em condições de receber visitas”.

Não estamos, mesmo. Mas agora, quem pariu a Copa que a embale. Que apresente e justifique ao mundo, aos nossos visitantes, o Brasil real, a insegurança das nossas ruas, a violência do cotidiano nacional, nossa incapacidade de cumprir prazos, a limitação monoglota de nossos aeroportos, hotéis, restaurantes e táxis e as muitas tentativas de passar-lhes a perna a que estarão sujeitos.
É o lamentável Brasil de 2014.





E fazer o quê? Ah sim: UMA REVOLUÇÃO CULTURAL NOW!!!



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Filme Queimado


Por Antonio Siqueira  - do Rio de Janeiro





@arte_web


















   


     A Guerra dos Trinta Anos terminou, na Europa, em 1648, com o Tratado de Westfália. Entre os entendimentos feitos pelas potências antes em choque, estava o da proteção à figura dos embaixadores. A partir daquele ano e supostamente até a eternidade, quando dois ou mais estados entrassem em guerra, seus embaixadores no país adversário não poderiam ser presos, punidos ou sofrer qualquer coação. Passou a obrigação dos governos onde estavam   acreditados devolve-los sãos e salvos aos países de origem.

     Vieram novas conflagrações, na Europa e no resto do mundo, e o compromisso foi respeitado. Mesmo Hitler garantiu a devolução a Londres e a Paris, depois a Washington e até ao Rio de Janeiro, dos embaixadores dos países em guerra com a Alemanha. Mesmo no caso de guerras não declaradas formalmente, ou de revoluções internas, seus líderes e responsáveis preservavam os representantes de outros países, ainda que implicados nos entreveros locais. Preveniam-se todos, porque o que acontece de um lado pode acontecer do outro.

     Isso até setembro de 1969, quando o Brasil, não propriamente deu lições ao mundo, mas um péssimo e execrável exemplo. Assistimos adversários do regime militar sequestrarem os embaixadores dos Estados Unidos, da Suíça e da Alemanha Ocidental, além de um cônsul do Japão.Quaisquer que fossem as motivações dos que lutavam contra a ditadura, foi um horror. Não havia no mundo know-how para sequestros de diplomatas. O governo americano impôs que o governo brasileiro, então uma abominável junta militar, cumprisse todas as exigências dos sequestradores, inclusive as de mandar 15 prisioneiros políticos para o México. Depois, nos sequestros seguintes, outros para a Argélia e o Chile.

     A moda pegou lá fora. Em Montevidéu, tupamaros uruguaios apoderaram-se de um diplomata brasileiro. Em Lima, o Sendero Luminoso prendeu treze embaixadores estrangeiros de uma só vez. E foi assim por diante, a ponto de a diplomacia dos Estados Unidos estabelecer regras rígidas que valem até hoje: não negociar com terroristas. Quem quiser ser diplomata que seja, mas sabendo que seu governo não tomará qualquer iniciativa negociada para libertá-lo, à exceção de invasões armadas de comandos nos locais do cativeiro. Mesmo assim, com as exceções de sempre, mais as cautelas ligadas à segurança de embaixadores e de altas autoridades em visita a outros países, tinha-se a impressão da volta gradativa ao civilizado espírito de Westfália.

     Corremos o risco de o Brasil ministrar novos "bons exemplos" ao mundo. Às vésperas da copa do mundo ficamos sabendo da preparação de fartos contingentes da Polícia Federal e demais entidades nacionais de segurança, especializando-se em evitar sequestros de diplomatas e até de chefes de estado e de governo estrangeiros dispostos a vir assistir as partidas de seus selecionados. Detalhado esquema de proteção aos ilustres visitantes está sendo elaborado, envolvendo aeroportos, hotéis, trajetos e estádios para onde se dirigirão. A um custo muito alto, previne-se o aparato brasileiro de segurança, claro que com o auxílio de serviços afins de países estrangeiros, para evitar o vexame de sequestros. As atenções voltam-se para os black-blocs e grupos ligados às campanhas contra a realização da copa. Pelo jeito, estão de olho também nos líderes do tráfico de drogas, na verdade os chefes destes desocupados... depredadores e assassinos. No mais, o governador do Estado do Rio de Janeiro, bandido colérico de colarinho branco e sob o manto de seu terno armani engomado pela língua do capeta, vê o seu "acordo" com o narcotráfico ir por água abaixo, por que este não soube controlar a ganancia de seus amigos milicianos, que já agiam até em comunidades pacificadas. Na verdade, Sergio Cabral tem uma dívida imensa com as milícias cariocas. Sem elas, talvez não se elegesse de maneira tão ampla.


     Só admitir-se essas providências, convenhamos, é uma vergonha. Se alguma tentativa de sequestro acontecer, o país com o filme já estorricado de priscas eras, assistiremos ao vivo in loco, a imagem do Brasil desfazendo-se em mil pedaços pelo planeta inteiro. Graças a uma minoria de cancros sociais irresponsáveis que deveriam estar enjaulados.



*Faltam 35 dias para a Copa do Mundo no Brasil; Save-se quem puder!


segunda-feira, 7 de abril de 2014

De Itaúna para o mundo: Via Fanzine completa 20 anos de fundação


EDITORIAL VF


O que garante Via Fanzine no ar, após apresentar tantas denúncias que influenciaram 
diretamente na vida do povo itaunense nestas últimas décadas, inclusive com aceitação do Ministério Público local, é a responsabilidade.


Por Pepe Chaves - Itaúna MG

*Colaborador e membro da equipe de articulistas de Politica & Afins



Via Fanzine - 20 anos













     Estamos comemorando hoje, segunda-feira, 07/04/2014, com um bom vinho gaúcho e um requintado queijo mineiro com ervas, duas décadas de jornalismo ininterrupto, desde que a primeira edição impressa de Via Fanzine foi publicada em Itaúna, no dia 07/04/1994.

     Tempo este em que arrebatamos o mais alto respeito de leitores, autoridades de todas as esferas e colaboradores tão distintos, residentes nas mais avessas localidades do mundo. E não é fácil manter-nos dentro de um compromisso estrito de produzir um jornal digital diário, ininterruptamente, desde o dia 07/04/2004, quando o portal Via Fanzine entrou no ar pela internet.

     E todo este trabalho que não surgiu ontem, hoje consiste no maior acervo digital de um portal produzido em Itaúna e na região, além de ser, devidamente comprovado, o portal que recebe mais acessos na cidade. Também não fazemos jornalismo pra privilegiar vereador que compra jornal escondido para faturar publicidades da Prefeitura e da Câmara e nem enviamos spam; nem apelamos para que leitores visitem o nosso site ou página de Facebook. Tampouco, fazemos jornalismo para plagiar descaradamente quem se diz nosso concorrente. Também não fazemos festa para celebrar visitação falsa recebida. Produzimos jornalismo com a originalidade que nos garante, desde o início deste trabalho, no milênio passado, a confiança de quem nos lê.

     Por isso, para vendermos espaços publicitários em nosso trabalho, não temos que apresentar acessos de site “printados”, nosso acesso está aberto a quem quiser vê-lo clique aqui  (Motigo Webstats - Free web site statistics Personal homepage website counter) Tampouco, temos que mentir, afirmando que recebemos milhares de acessos de internautas por dia, algo humanamente impossível (e quem trabalha com site sabe disso) para um portal de jornalismo na cidade de Itaúna, sobretudo, se divulgar somente notícias ou releases locais, como a maioria faz.

     Desta forma, não temos que fazer politicagem a nosso favor, tampouco com pessoas da política local para obter dinheiro público, de maneira suspeita, pois, enquanto veículo de comunicação, trabalhamos é com informações e, no nosso caso, com informações concisas.

     O que garante Via Fanzine no ar, após apresentar tantas denúncias que influenciaram diretamente na vida do povo itaunense nestas últimas décadas, inclusive com aceitação do Ministério Público local, é a responsabilidade. Talvez, por isso, dentro de nossa larga liberdade para publicar, nunca fomos processados enquanto veículo de comunicação, apesar de ter havido uma tentativa política frustrada do prefeito afastado pela Justiça Eugênio Pinto e do vereador Lucinho de Santanense, em 2010, onde fomos defendidos pelo doutor Lincoln Guimarães Melo e foram eles que acabaram nos ressarcindo.

     Portanto, afirmar que recebe milhares de acessos por dia e montar “provas” disso é muito fácil com tecnologia de hoje; difícil é fazer um jornalismo original, com identidade e desprendimento, que não vive apenas para malhar ou adular políticos e outros mandatários locais, mas para transpirar à tona assuntos do verdadeiro interesse público, doa a quem doer, seja na esfera municipal, estadual, nacional, ou mundial.

     Este é para nós um momento de reflexão, no qual agradecemos (e nem teria coragem de tentar citar nomes, vocês sabem quem são) a centenas de pessoas que colaboraram de alguma maneira ou ainda colaboram com Via Fanzine nestas duas décadas. Pela nossa isenção e desatrelo as “negociatas” que muitas agências de publicidades e veículos de comunicação, aliados a políticos irresponsáveis fazem com dinheiro público em nossa cidade e Estado, temos orgulho de afirmar que produzimos o verdadeiro diário itaunense.

    E posso encher a boca pra dizer: sem depender de um tostão de dinheiro público para nos mantermos, somos aquele que leva mais longe o nome de Itaúna no mundo. E, obviamente, o veículo de comunicação que mais traz para Itaúna informações das mais distantes plagas, inclusive as que estão bem além do nosso pequeno mundinho...

     Por isso, nós da rede de portais ZINESFERA, que agrega todo o trabalho desenvolvido por Via Fanzine, estamos imensamente gratos aos leitores que repassam nossos links por e-mail, nas redes sociais e de tantas outras formas que difundem o nosso trabalho.

     No entanto, o grande retorno recebido  não pode ser pago com dinheiro nenhum: é o encontro que proporcionamos a tantas pessoas que se conheceram e cultivam laços de amizade a partir do nosso trabalho. É poder ver nossos textos acrescentar aos leitores e saltar daqui para diversos sites e blogs de todo o mundo e até mesmo em questões de vestibular e no meio acadêmico.

     Assim, enfim, me perdoem pelo ar de desabafo e parabéns, a toda família Fanzine espalhada pelo mundo e que nos venham muitos outros anos de vida!


Pepe Chaves

Pepe Chaves

editor
www.viafanzine.jor.br
pepechaves@gmail.com
07/04/2014









TV Fanzine - Os Muros Perdidos de Minas Gerais





sexta-feira, 4 de abril de 2014

Curto Circuito - "Ditadura" - Video 4


Uma franquia Pindorâmica:







Nota do Blog:
Uma abordagem notável, que nos remete em 16 minutos,
50 anos de uma história dura de se ouvir,
numa linguagem simples,
inteligente, didática,
incisiva e madura.






*Ives Pierini é professor de história, musico e arranjador, compositor, animador cultural e produtor de trilhas sonoras. É um dos membros fundadores da Banda Black Dog Brazil e pensador nato. Primeiro vídeo de uma série que abordará fatos cotidiano e do cenário politico-social da cidade, do país e do mundo com inteligência, embsamento e muito bom humor. Neste ano de eleições, será de suma importância e uma dor de cabeça a mais para a Côrte.
Apoio deste blog,  Politica & Afins e do Arte Vital Blog.





Todos os direitos reservados ®




terça-feira, 1 de abril de 2014

A Revolução dos Cretinos Part I - O Golpe



O Golpe de 1964 revestido de intervenções da CIA, trogloditas fardados e civis traidores

    Por Antonio Siqueira



A revolução dos canalhas
     


















     Eu ainda não havia nascido nos dias 31 de Março e 1º de Abril de 1964. Sou de 1968, nasci no outubro negro, exatamente nos dias que precederam o plano macabro do Brigadeiro João Paulo Burnier. Ele pretendia explodir o gasômetro no Centro do Rio de Janeiro no horário do Rush para jogar a culpa nos comunistas, graças ao saudoso capitão Sergio, as coisas tomaram outro rumo. Não foi fácil nascer nesta atmosfera de terrorismo de estado, como não foi menos tranquilo viver a infância sob o crivo dos pavões generais nos anos 1970. O que me atrevo escrever nestas linhas tristes é, muito mais do que pesquisado em livros, muito além dos “contadores de histórias mirabolantes”: É o que ouvi pessoalmente de familiares que viveram esses eventos, alguns até personagens ocultos de certa importância, cidadãos, pessoas comuns e massacradas por esta era de tirania, desrespeito e violência sangrenta contra a sociedade civil brasileira. Fora o emburrecimento coletivo e o empobrecimento estético que os militares hidrófobos nos deixaram como legado infame.


      Muitos insistem ter sido ontem a passagem dos 50 anos do golpe de 1964, data em que o general Olympio Mourão, com suas tropas nem tão numerosas assim, começou a descer a serra de Petrópolis, saindo de Juiz de Fora e chegando ao Rio para depor o presidente João Goulart. Para outros, o dia certo foi 1º de abril, quando contingentes bem maiores do Exército deixaram os quartéis da Vila Militar para enfrentar os rebeldes e, diante deles,  sem disparar um tiro, decidiram aderir e transformaram o movimento num desfile militar logo apoiado por contingentes de São Paulo, Pernambuco e, ao final, Rio Grande do Sul. Os golpes dentro do golpe começaram naquele dia, pois se era uma ação pérfida e vitoriosa, daquelas comuns na História, parecia natural que o general comandante da rebelião assumisse o poder, diante da fuga do presidente constitucional. Convenhamos que o Golpe mesmo, começou em 1961, quando a CIA ‘cochichou’ no ouvido do bêbado inveterado, Jânio Quadros, que era hora de dar o fora, ou iriam "suicida-lo". Mas isso é assunto para mais adiante.






A tomada



















        Ledo engano do general Mourão, porque no Rio conspiradores que não tiveram coragem para deflagrar o movimento logo decidiram empalmar o poder. O ministro do Exército, Jair Dantas Ribeiro,  encontrava-se internado no Hospital Central, vítima de enfermidade que logo o levaria desta vida. Diante da confusão, o mais antigo dos generais, Costa e Silva, que naqueles dias comandava uma escrivaninha, sem tropa alguma, num gesto de audácia ocupa o gabinete do ministro e declara-se chefe do movimento revolucionário. Havia conspirado, é claro, mas como muitos outros. Diante do fato consumado e com o apoio da Marinha e da Aeronáutica, intitulam-se Comando Supremo da Revolução e assumem o poder. Outros generais, como Castello Branco, Cordeiro de Farias, Juarez Távora, Ernesto Geisel e Golbery do Couto Silva discordam, mas nada podem fazer, pois também careciam de tropa. A primeira iniciativa seria conter Mourão Filho, já às portas do Rio, na Avenida Brasil.



       Determinam, e ele aceita, que em vez de prosseguir e tomar a sede do ministério do Exército, na Central do Brasil, rumasse com seus soldados para o estádio do Maracanã, onde receberiam alimentação e hospedagem. Ele aceita, ficando depois satisfeito com a oferta de que seria nomeado presidente da Petrobrás. Nem isso foi, limitando-se a dizer que não era político, mas “uma vaca fardada”. Costa e Silva detinha o poder e pretendia mantê-lo, apesar da resistência de Castello Branco e outros generais ditos intelectualizados, mas coube a ele convocar o jurista Francisco Campos, autor da Constituição fascista de 1937, para que editasse um ato revolucionário capaz de suplantar a Constituição vigente de 1946, “legalizando” o golpe.



A  Marcha da Família com Deus e o Diabo na Terra dos Canalhas












     
   

     Nas ruas, mulheres, empresários, padres, estudantes de direita, empunharam rosários e bandeirinhas do Brasil na mão, sob o lema “Família que reza unida, permanece unida”, realizaram entre 19 de março a 8 de junho de 1964, 49 marchas pelo país. As marchas antes do golpe militar de 31 de março, eram chamadas de Marchas da Família com Deus, depois do golpe passaram a chamar Marcha da Vitória.

     Com exceção do jornal Última Hora, todos os grandes jornais do país apoiaram o golpe militar. Quando consumado a queda do governo, somente o movimento estudantil, alguns sindicatos, alguma tropa do Rio Grande do Sul, pequenos setores da ala esquerda das forças armadas e os partidos comunistas clandestinos, rebelaram-se contra o golpe. O restante da nação aplaudiu e agradeceu aos militares por salvá-los do perigo vermelho. Desde os tempos áureos do Macartismo, uma campanha feroz de caça aos comunistas norte-americana, criada e liderada pelo Senador Joseph Raymond McCarthy, em terras brasileiras, cria-se no folclore de que comunistas eram canibais e comiam crianças por algum motivo obscuramente macabro que os meus avós não conseguiram me explicar.




Mulheres que Marcharam a Favor do Golpe Militar

     A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu 1 milhão de pessoas na Candelária, Rio de Janeiro, no dia 2 de abril de 1964, recebeu os militares vindos de Minas Gerais, como heróis e salvadores. Esta marcha, que se passou a chamar a Marcha da Vitória, chancelou o golpe militar. Era a representação da família, da igreja, do povo brasileiro, que no ato se mostrava feliz e grato aos golpistas.
Diante do sucesso das marchas, no dia 13 de maio, pouco mais de um mês após o golpe de estado, aconteceu na sede dos Diários Associados, na rua 7 de Abril, no centro de São Paulo, uma cerimônia empreendida por Assis Chateaubriand, que lançava uma campanha nos jornais, rádios e tevês, chamada de Ouro para o Bem do Brasil. A campanha convencia o povo a ajudar o novo governo, com doações de ouro, através de alianças, anéis, pulseiras, colares e outros objetos. O Rotary Club aderiu à campanha, promovendo por várias cidades do Brasil a Semana Cívica do Ouro. O governador Adhemar de Barros doou o seu salário de 400.000 mil cruzeiros. A indústria automobilística doou veículos, empresários contribuíram com cheques, que chegaram a milhões. 100 mil pessoas doaram 400 quilos de ouro e meio bilhão de cruzeiros, em duas semanas. Quem fazia a doação, recebia uma aliança de latão com a inscrição: Doei ouro para o bem do Brasil. O valor real arrecadado jamais foi revelado, tampouco o destino que as joias levaram.

    Das mães que marcharam pelas ruas do Brasil, saudando o golpe militar, ou daquelas que doaram joias para a construção de um Brasil livre do perigo vermelho, muitas foram as que, anos depois, saíram das suas casas à procura dos filhos desaparecidos e mortos, tragados pela repressão militar. Segundo dados estatísticos, a maioria dos jovens que se rebelaram contra a ditadura, era oriunda de uma classe média abastada, que se beneficiara economicamente com o novo regime. Benefício que lhes custaram caro, o arrependimento eterno.


Lacerda, JK e os embrionários da patifaria.

No legends
















     Parlamentares cassados, os que sobraram cumpriram a ordem, mas outro problema surgia: a Constituição determinava que chefes do estado-maior das forças armadas, para candidatar-se a postos eletivos, deveriam desincompatibilizar-se seis meses antes as eleições. Castello ainda era chefe do estado-maior do Exército. Assim, era inelegível. Imediatamente acrescentou-se um artigo ao Ato Institucional: “para as próximas eleições, não haverá incompatibilidades”… Castello Branco seria o primeiro presidente militar e o pé na porta para os próximos 21 anos de Chumbo!

     Estava consolidado o golpe militar, que implantaria uma das mais sangrentas ditaduras da história, e a maior que o Brasil já teve. Estender-se-ia de 1964 a 1985. Os pilares dessa ditadura foram construídos pela ambição de três governadores de estados brasileiros e um ex-presidente: Adhemar de Barros, governador de São Paulo, Magalhães Pinto, governador de Minas Gerais, e Carlos Lacerda, governador do então estado da Guanabara (incorporado ao estado do Rio de Janeiro em 1974) e Juscelino Kubitschek, presidente do país de 1955 à 1960 e criador do monstro chamado Brasília. Ambicionando a presidência da República, quatro homens apoiaram o golpe, desencadeando um clima político no país para que ele fosse executado.

     JK, naturalmente, era figura-chave do PSD. Mantivera postura escorregadia no curso do golpe contra Jango, que fora seu vice (e em seguida de Jânio, até ele próprio assumir, em 1961), proferindo a célebre frase: “Estou onde sempre estive ao lado da liberdade e da democracia”. Conhecia Castello Branco. Mais que isso: por indicação e insistência de um amigo de Castello, Augusto Frederico Schmidt, poeta, intelectual e assessor pessoal de Juscelino quando presidente, fora exatamente JK quem havia promovido, em 1958, o agora marechal a general de divisão.

Um diálogo curto, porém revelador:

– Então, presidente, estou aprovado para a Presidência?

JK respondeu:

– Perfeitamente, general, e com o nosso apoio.

Juscelino cumpriu o compromisso. Os militares, temerosos de sua popularidade, não. Seu mandato de senador seria cassado dois meses depois, a 8 de junho daquele 1964, e os direitos políticos suspensos por 10 anos.

Vendo aproximar-se a degola, o ex-presidente proferiu seu último e enérgico discurso no Senado cinco dias antes, a 3 de junho de 1964.

Alertando que a nação vivia “sob os efeitos do terror” e declarando-se “vítima preferida da sanha liberticida” do regime, disse JK:  “Sinto uma perfeita correlação entre minha ação presidencial e a iníqua perseguição que me estão movendo”. Tarde demais...já havia entrado tudo!



As "Putas Arrependidas" do Golpe Militar

     Carlos Lacerda, em 1939, passou de fervoroso comunista a um inimigo implacável das esquerdas e das causas populares. Conhecido como corvo conspirador, conspirou contra Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. Sua índole incendiária aspirava à presidência da República. Quando se apercebeu que o governo dos militares não se faria provisório, e manter-se-ia no poder por um longo tempo, rebelou-se, o que resultou nos seus direitos políticos cassados pelo governo militar. Em 1967, Carlos Lacerda, o maior inimigo do governo João Goulart, surpreendentemente, aliou-se ao presidente deposto e a Juscelino Kubitschek, formando a Frente Ampla, para assim, restituir as eleições diretas no país. A Frente Ampla foi sufocada pela repressão do regime. Quando morreu, em 1977, Carlos Lacerda era o maior arrependido dos apoiadores do golpe de estado de 1964.

     Adhemar de Barros, governador de São Paulo, falso puritano, trajava-se de defensor da moral e dos bons costumes, cinicamente incentivava o bordão “Rouba, mas faz”. Também ele ambicionava a presidência do país. Ao sentir-se traído pelos militares, em março de 1966, exigiu a renúncia do presidente Castelo Branco, lançando um manifesto a exigir a restauração da democracia. O manifesto resultou na cassação do seu mandato, tendo os direitos políticos suspensos por 10 anos. Ameaçado de prisão, Adhemar de Barros, um dos maiores apoiadores do golpe de 1964, partiu para o exílio, a 7 de junho de 1966. Morreu em Paris, em 1969, deixando com a amante, a famosa “Caixinha do Adhemar”, um cofre com 2.600.000 dólares dentro, produto do dinheiro público do povo paulista. Este mesmo cofre foi roubado de amante, após a sua morte, por guerrilheiros que resistiam ao regime militar, em 18 de julho de 1969. Estes, meus senhores, são As "Putas Traídas e Arrependidas" do Golpe Militar. Histórias macabras de gente muito sinistra que passou por aqui. Eu volto...





sábado, 22 de março de 2014

O Petróleo já não é nosso!

Por Osvaldir Sodré da  Silva - Do Rio de Janeiro

Crônica postada em agosto de 2013 no Blog Arte Prazer e Afins.



Esta farra saiu cara demais! A 'PeTeroubrás' está falindo!















Não tem jeito! Volto a escrever sobre um assunto político. Não seria tão político, caso o governo há dez anos atrás, não viesse com  aquela história de que a Petrobrás alcançara a auto-suficiência, usando a partir daí a estatal como garota propaganda.

Já disse aqui no Blog, que governos populistas tendem a deixar o país que governam de pernas pro ar, quando deixam o governo, e aqui deixaram o pepino para seus pares.

Como que a Petrobrás produz cada vez menos, apesar de encontrar cada vez mais jazidas?

O povo está se lixando para saber a razão, coitado, mas, sofrerá as consequências destas medidas oriundas de má gestões.

Será que se lembram do acordo do Lula com o Chavez, em que a Petrobrás desembolsou R$ 5 bilhões para ser parceira da PDVSA, estatal venezuelana?

Talvez se lembrem, mas, podem não saber que enquanto àquela estatal nada desembolsou, a Petrobrás já desembolsou R$35 bilhões.

Já o PT procura manter na memória do povo, e não se cansam de lembrar a privatização da Vale por FHC.

Será que o povo ficou sabendo os absurdos que estes PTroleiros fizeram com a Petrobrás, para que agora ela já não seja a robusta empresa quando assumiram?

Se aquele exemplo da Venezuela não bastasse, em 2006 uma falida refinaria no Texas adquirida por US$ 42 milhões, e que  meses depois a revenderam por US$ 1,2 bilhão, adivinhem quem a comprou?
Acertou quem disse Petrobrás.

Mas, não ficou por aí, depois, verificando que tinham feito um péssimo negócio, tentaram revendê-la por um preço bem aquém, não fosse a intervenção do TCU, teriam aumentado ainda mais o rombo. Pasmem!

Enfim, o pepino caiu no colo da Presidenta, que é barbara na seleção de seus ministros. Me aponte um, nominalmente, e seu ministério?

A perda da Petrobrás é grande, e em progressão geométrica. A saída é a privatização daquela que era nossa maior e melhor  empresa estatal, que este governo de ideologias, que nem eles sabem quais são.
Acabaram com os correios, agora como dizer que o petróleo é nosso! Há que se ser  patriota, e muito!

Permitam-me o trocadilho com ministro homônimo que ora caiu; em razão de um dos maiores micos da história do Itamaraty e de um governo, onde ninguém sabe, ninguém viu!