domingo, 7 de junho de 2020

Covid-19: nem todos os pacientes com os pulmões seriamente comprometidos sentem falta de ar

A culpa são de pequenos coágulos que o vírus cria. O ar entra e sai normalmente do pulmão, mas o oxigênio não chega onde precisa chegar.

Por Maria Clara Rossini


 MR.Cole_Photographer/Getty Images


















Alguns pacientes graves de Covid-19 não sentem falta de ar, mesmo quando os níveis de oxigênio no sangue já estão bem baixos. Isso faz com que a doença passe despercebida no início – e quando o paciente chega no hospital, a situação está tão crítica que ele logo precisa ser entubado.

Esses não são todos os casos – afinal de contas, estima-se que 80% dos infectados pelo coronavírus tenham sintomas leves ou não apresentem sintoma nenhum. Mas a frequência com que esses quadros se repetem preocupam os médicos. Mesmo se existissem respiradores suficientes para internar quem precisa, o entubamento é um processo de risco que nem sempre consegue salvar o paciente.

Uma das hipóteses que explica esse comportamento estranho no corpo é a formação de coágulos nos pulmões. O sangue forma pequenos sólidos que servem como “tampão” quando algum vaso sanguíneo é rompido. Isso geralmente ajuda a estancar sangramentos, mas ele também pode causar trombose, que é quando esses coágulos bloqueiam o fluxo do sangue pelos vasos.

No caso da Covid-19, cada vez mais estudos mostram que a doença pode causar esses trombos em pacientes que evoluem para quadros mais graves. Isso explicaria por que a pessoa não sente falta de ar, mesmo já estando com níveis baixos de oxigênio: o ar entra e sai normalmente do pulmão, mas o oxigênio não chega onde precisa chegar, por conta da falta de irrigação.

Esses pequenos coágulos também ficam entre os alvéolos pulmonares e os vasos sanguíneos. Os alvéolos são “saquinhos” para onde vai o ar que você respira. Lá é justamente onde o pulmão pega o oxigênio do ar e passa pro sangue. Com o “bloqueio” no meio, menos oxigênio entra no sangue, causando o que os médicos chamam de “baixa saturação” (sangue que carrega menos oxigênio do que deveria).

De quebra, isso explicaria os sintomas dermatológicos da doença, os famosos “dedos de covid” (mas que também podem se manifestar em outras áreas do corpo). Com a irrigação sanguínea obstruída, os dedos adquirem um tom avermelhado ou roxo, como tem sido observado em pacientes.


Diferente dos outros coronavírus

A pneumologista Elnara Negri é pesquisadora da Universidade de São Paulo e atua no Hospital Sírio-Libanês e Hospital das Clínicas. Ela percebeu algo estranho quando entubou um paciente com Covid-19, no final de março. O pulmão dele parecia estar funcionando normalmente, bem flexível, o que é incomum para um quadro de desconforto respiratório agudo.

Tanto a SARS quando a MERS, duas outras doenças graves causadas por coronavírus, provocam uma inflamação no pulmão. Os alvéolos se enchem de células mortas e pus, deixando o pulmão mais rígido. Assim, fica difícil fazer a ventilação por meio dos respiradores, porque o pulmão está duro demais para fazer o movimento.

Não foi o que a médica percebeu com o novo coronavírus. Ela entrou em contato com outros pesquisadores da USP, Paulo Saldiva e Marisa Dolhnikoff, que estavam fazendo autópsia dos pulmões de pessoas que morreram pela Covid-19. Eles perceberam focos de hemorragia em vasos sanguíneos do pulmão – que estavam relacionados aos microtrombos que mencionamos antes. O artigo com a análise das autópsias foi revisado por pares e aceito para publicação no Journal of Thrombosis and Haemostasis.

A pergunta que resta é por que o coronavírus causa esses coágulos. Segundo Negri, o vírus entra pelo sistema respiratório e destrói as células que revestem os alvéolos e os brônquios. É como se eles ficassem em carne viva, e isso atrai a atenção do corpo para aquela região. Lá é liberada uma substância chamada fator tecidual, o que ativa a coagulação no pulmão. O mesmo acontece quando você se corta e o corpo manda as substâncias para estancar o sangramento e formar aquela “casquinha” na pele. Mas ativação da coagulação nos pulmões forma trombos que obstruem os pequenos vasos sanguíneos do órgão e causam todas aquelas complicações.

A inflamação e acúmulo de células mortas no pulmão – quadro típico da SARS e MERS – também pode acontecer com a Covid-19, se ela evoluir para os estágios mais graves. “Isso pode acontecer nas fases finais da doença se o processo trombótico não for contido no início. Inicialmente observa-se menos inflamação dentro do alvéolo e mais trombose nos vasos pulmonares. Se ela não for freada, ocorre necrose tecidual, inflamação, infecção bacteriana secundária e evolução para a síndrome respiratória aguda”, diz Elnara Negri.


Tratamento

Bom, ainda não sabemos como curar a Covid-19, mas a ciência já sabe tratar coágulos há décadas. A pneumologista está participando de estudos com o medicamento heparina, que desfaz os trombos no sangue e desentope os vasos. As primeiras experiências com 27 pacientes graves do Hospital Sírio-Libanês foram descritas em um artigo que aguarda a revisão por pares. Os casos tratados com o anticoagulante se recuperam entre 10 e 14 dias de internação, enquanto outros casos graves de Covid-19 precisam de, em média, 28 dias no respirador. Em um cenário com recursos escassos, diminuir o tempo de internação é essencial para poder administrar melhor os leitos hospitalares.

A equipe de pesquisadores irá fazer estudos amplos, controlados e randomizados com a heparina, em parceria com a Universidade de Toronto e Universidade de Amsterdã. Além disso, eles também estão estudando dados de 200 pacientes já tratados no Hospital Sírio-Libanês, que serão compilados em um artigo.

Por enquanto, a maior parte dos hospitais e UTIs já utiliza o medicamento em pacientes com baixa saturação de oxigênio. A médica defende que é importante iniciar o tratamento com a medicação assim que for detectado o baixo nível de oxigênio no sangue, para evitar as complicações que falamos aqui no texto. O médico deve determinar a dose adequada para cada paciente. Sempre é bom lembrar que a automedicação para tratar a Covid-19 pode levar a complicações graves. No caso da heparina, a dose errada pode causar hemorragia.

Não sabemos se os coágulos são os únicos responsáveis pelo agravamento da doença. Segundo a médica, de 10% a 15% dos pacientes evoluem para o quadro de hipercoagulação. São esses que podem precisar de oxigenação e ventilação mecânica.

O quadro provocado pela Covid-19 é complexo e envolve diversos fatores biológicos, como predisposição genética e comorbidades. A maior parte dos pacientes com trombose tratados por Negri tinham obesidade ou diabetes, mas o quadro também foi observado em pessoas sem comorbidades. Com cada vez mais estudos voltados ao aspecto trombótico da Covid, a nova linha de pesquisa pode mudar a maneira como tratamos a doença.


domingo, 3 de março de 2019

Olavo de Carvalho foi apanhado na malha fina do fisco nos EUA

Por Antonio Siqueira




vaquinha suspeita
















O escritor, pseudofilósofo e escroque oportunista, Olavo de Carvalho lançou uma campanha nas redes sociais na sexta-feira para levantar recursos junto a amigos e apoiadores. Pouco depois de Olavo fazer a postagem, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP e sem mais o que fazer, além de tuitar sandices) compartilhou o post do escritor e pediu apoio à campanha, destinada a tirar Olavo de Carvalho de uma pindaíba financeira tão radical quanto suas declarações e vociferações fascistas. O homem forte, ferramenta principal do bilionário e marquetista extremista reacionário, Steve Bannon e guru de Bolsonaro, apela para caridade.


O post de caritas
























Em post no Facebook, Olavo, que vive em verdadeira penúria nos Estados Unidos, afirmou que recebeu uma cobrança de despesas médicas e de impostos. O valor, segundo ele, se somaria ao que ele chamou de rede de caluniadores e difamadores que o processam por suas declarações polêmicas.
 “Acossados por uma rede internacional de caluniadores e difamadores, recebemos ainda uma cobrança monstruosa de despesas médicas e impostos, e vamos precisar desesperadamente da ajuda dos nossos amigos”, escreveu Olavo, delirante como de costume. Convenhamos: esta 'vaquinha' é muito suspeita






Em troca, ele oferece livros autografados e profunda gratidão aos que colaborarem. Cestas básicas também serão bem vindas. Entretanto, piadas à parte; o contrassenso desta notícia é que Olavo é capitalista demais para urgir um apelo tão rotundo em busca de  uma "social democracia" tão a quem de suas ideias, digamos, por demais mentecaptas.






sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Filhotismo




O metecapto

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Um tratado definitivo abrangendo a historia do homem

Por Antonio Siqueira


Uma breve e magnífica história
O autor de Sapiens: História Breve da Humanidade é Yuval Noah Harari, um historiador (doutor em História pela Universidade de Oxford) e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Em seu best-seller ficamos conhecendo o processo de evolução da espécie humana pelo planeta. A partir de uma perspectiva interdisciplinar e científica, descobrimos o percurso do homem na Terra.

Aprendemos o que se passou nesse período de 70.000 anos da história humana e somos apresentados as revoluções que o homem promoveu ao longo do tempo (vale sublinhar as três maiores revoluções da espécie: a Revolução Cognitiva, a Revolução Agrícola e a Revolução Científica).

Percebemos, ao longo da leitura, como somos uma espécie ao lado de tantas outras e como a nossa existência individual é provisória e insignificante perante a noção de grupo. Ao contrário da cultura contemporânea - que nos faz crer que somos sujeitos únicos e especiais - Harari abre uma grande angular e nos mostra que fazemos parte de um sistema muito mais amplo: "Há cerca de 13,5 bilhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram naquilo que é conhecido como o Big Bang. A história dessas características fundamentais do nosso universo é denominada física. 
Por volta de 300 mil anos após seu surgimento, a matéria e a energia começaram a se aglutinar em estruturas complexas, chamadas átomos, que então se combinaram em moléculas. A história dos átomos, das moléculas e de suas interações é denominada química. Há cerca de 3,8 bilhões de anos, em um planeta chamado Terra, certas moléculas se combinaram para formar estruturas particularmente grandes e complexas chamadas organismos. A história dos organismos é denominada biologia."
A obra de Harari não tão somente um livro, é o tratado antropológico definitivo dos últimos
200 anos.

Em Sapiens: História Breve da Humanidade voltamos para o passado e testemunhamos o surgimento da matéria e da energia, o começo da física e da química, o aparecimento de átomos e moléculas - e depois somos remetidos para o futuro (será o homo sapiens substituído por super-humanos?).

Entre esses dois períodos aprendemos os eventos mais importantes para a espécie humana e como ela foi capaz de superar os desafios impostos pelas circunstâncias. Somos pequenos demais, diante do que está sob nossos pés e sobre nossas cabeças.


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Uma breve história do homem que desafiou a ditadura

Por Antonio Siqueira



 Capitão Sérgio Macaco
Há 50 anos, o capitão do Para-Sar, Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, conhecido como "Sergio Macaco", evitou o que seria a maior tragédia terrorista do mundo conhecido. Na ocasião do encontro com o seu comandante, o brigadeiro Burnier, em 1968, Sérgio Macaco já era um militar de sólida carreira: era capitão-paraquedista com aproximadamente 900 saltos, seis mil horas de voo e quatro medalhas por bravura. Na ocasião, Burnier era chefe de gabinete do ministro da Aeronáutica, Márcio de Souza Mello. Um dos expoentes da extrema-direita brasileira, Burnier chefiara a revolta militar de Aragarças, em 1959, contra o governo de Juscelino Kubitschek, além de criar o Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica, órgão de ligação da Aeronáutica com o Serviço Nacional de Informações (SNI), responsável pela espionagem e repressão no período militar.

O plano de Burnier para acabar com o comunismo no Brasil previa uma série de atentados a serem executados pelo Para-Sar: bombas explodiriam em alvos específicos, como a loja de departamentos Sears, o Citibank e a embaixada americana. Além disso, 40 personalidades opositoras ao regime seriam sequestradas e lançadas de um avião no meio do oceano. A lista de sequestrados tinha nomes como Carlos Lacerda, JK e dom Helder Câmara. O ato final seria a explosão do Gasômetro do Rio de Janeiro — naquela época responsável pelo fornecimento de gás para a cidade e, hoje, desativado — e da represa de Ribeirão das Lajes, que fornecia parte da energia elétrica para a capital fluminense.

A concretização do plano de Burnier representaria um verdadeiro banho de sangue: apenas a explosão do gasômetro, planejada para ocorrer na hora do rush, mataria em torno de 100 mil pessoas. A culpa seria atribuída aos grupos de esquerda, o que legitimaria uma verdadeira “caça às bruxas”, com o apoio da opinião pública, que seria devidamente preparada para apoiar esse endurecimento do regime. Perguntado por Burnier se concordava com o plano, Sérgio Macaco respondeu:

— Não. Não concordo. E enquanto eu estiver vivo isso não acontecerá. (...). Não me calo e darei conhecimento de tais fatos ao ministro.

A recusa de Sérgio Macaco e do Para-Sar, ajudou a salvar centenas de milhares de pessoas. O ano de 1968 foi cheio de turbulências e aventuras – o que resta agora é saber o que cada um de nós carrega dessa geração, que ao mesmo tempo em que tinha muita vontade de lutar pelos seus ideais e comemorar suas conquistas, viveu sob grande repressão e tortura. Não há dúvidas de que o ano de 1968 continuará para sempre no imaginário o povo brasileiro. 




 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Diabo é Presidente da República Federativa do Brasil


Por Antonio Siqueira - Do Rio de Janeiro



O MAL



















Tudo começou com a carta que enviou à presidentA, confessando, “sou um vice decorativo”. Mau caráter congênito, disse que a carta era SIGILOSA, entregou a cópia a um jornalista, que fez o que tinha que fazer: publicou. Ele então acusou Dona Dilma de ter violado o sigilo. E junto com o parceiro também corrupto e criminoso, Eduardo Cunha, tramaram e depredaram a realidade, só pararam depois daquele tenebroso domingo de abril e o quase silencioso mas também deprimente processo no Senado.

Dilma e o pt, na ressaca pós Lula, invetaram uma  absurda ingovernabilidade sem o apoio do pmdb e abriram as portas de casa para o demônio entrar...e ele entrou. Entrou e tomou o lugar do dono. O PT pagou caro por ser um partido corrupto e sedento do sangue do povo. E o povo está pagando mais caro ainda por ter eleitores capazes de levar ao Poder Executivo este mesmo pt que trouxe Michel Temer, um dos maiores calhordas entre os políticos mequetrefes de carreira, para a presidência da republiqueta que criaram.

A República tem quase tantos vices que assumiram quanto presidentes que terminaram o mandato. Vargas ficou exatos 15 anos no poder, de outubro de 1930 até outubro de 1945, por causa de uma intuição inspiração: não teve vice. Eleito pela primeira vez em 1950 cometeu o erro de colocar como vice o conspirador Café filho. Saiu da vida para entrar na História.

30 anos depois de 1985, em 2015, Michel Temer reinventou a República, sem tropas e sem povo, sem golpe e sim com muita conspiração, chegou ao poder. Acaba de comemorar os 15 meses iniciados em 12 de maio de 2016. Ele comemora, o povo e o país amargam a amargura desse corrupto, que resiste a tudo.

Esteve perto de ser o primeiro presidente a sair preso do Planalto. Foi salvo de forma espantosamente vergonhosa pelo presidente do TSE, Gilmar Mendes. Que continua a protegê-lo desde que assumiu a presidência desse alto tribunal, a partir de maio de 2016, tormentosa coincidência e imprudência. E continua a assustar se encontrando com Temer varias vezes, quase de madrugada, fora da agenda, como já fez com bandidos como os irmãos Batista, e a futura procuradora-chefe da PGR.

O Diabo é Presidente do Brasil!


quarta-feira, 28 de junho de 2017

A paz na Colômbia

Por Fernando Figueiredo - De Niterói



Será possível a paz entre Guerrilheiros e Governo?























Esta semana, com a entrega de suas armas à ONU, as Farc, a mais antiga guerrilha do ocidente deixará de existir. Esse é um passo decisivo em direção ao acordo de paz assinado, no ano passado, entre os líderes dos guerrilheiros e o governo, em Havana. O presidente, Juan Manuel Santos, que conta com uma popularidade abaixo de 12%, vê uma plateia dividida entre aqueles que apoiam a paz, com os guerrilheiros, e os que a refutam.

Muitos, contrários ao acordo, veem nesse novo cenário, onde o grupo chegaria ao poder pelo voto, como um processo que levaria a "venezuelização" do país. Apesar de a paz com as Farc ser incerta, dois pontos centrais vão se cumprir: o cessar-fogo e a entrega das armas da guerrilha. O que, por si só já representa um grande avanço. Os próximos passos incluem ainda, vale destacar, uma reforma política que, entre outras coisas, transforma o grupo guerrilheiro em partido político.

E o número daqueles que tem uma imagem negativa das Farc é ainda maior, o que era de se esperar, depois de mais de 50 anos do grupo em atividade, levando a mais de 200 mil civis mortos e vários desabrigados, expulsos de suas casas. Por parte do governo, o escândalo dos falso positivos, integrantes do exército matavam civis e apresentavam como guerrilheiros, o ministro da defesa à época era o presidente Santos.