quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Coréia: Sessenta Anos de um Conflito


A Guerra dos Cretinos 

    Por Antonio Siqueira - do Rio de Janeiro



@arte:dreamstime

           

                         














           Há quase seis meses, mais precisamente no dia 27 de maio, a imprensa estatal chinesa noticiou que Kim Jong-un, o lunático ditador da Coréia do Norte, escreveu em carta de próprio punho que desejaria retomar as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano com seis participantes, as duas Coreias, Estados Unidos, Rússia, Japão e China. A oferta foi rejeitada pela presidente sul-coreana, Kim Hyung-seok. É possível que o gordinho aloprado volte a fazer ameaças, manobras de guerra e outras sandices símias mais. Macacos são menos bufões que este jovem retardado que herdou o poder de um país arruinado miseravelmente pelo comunismo de cartel. Coréia do Norte e Coréia do Sul concordaram com um armistício em 27 de Julho de 1953, onde nenhum dos dois países assinou nada. Em suma: continuam oficialmente em guerra 60 anos depois.

                        Enquanto sua população carece da mais básica das matérias-primas, a Coréia do Norte concentra há mais de quarenta anos, todos os seus recursos na corrida armamentista, seu exército é o quinto maior do mundo em números. Os coreanos do norte sempre foram armados até os dentes por China e Rússia e com o fim da União Soviética, cientistas e generais russos, todos com conhecimentos notáveis em logística atômica, saíram pelo mundo vendendo seus serviços por alguns Bilhões de dólares. Como Paquistão e Índia conseguiram desenvolver tecnologia para serem hoje, duas temidas potências nucleares? Explica-se aí o fato de a falida Coréia do Norte possuir armas nucleares e que poderiam ser transportadas em mísseis de cruzeiro. Alguns destes dissidentes do falecido regime comunista do exército vermelho estão bilionários e, na maioria dos casos, anônimos.

                   A Perestróica, ou reconstrução econômica, foi iniciada em 1985, logo após a instalação do governo Gorbatchóv. Consistia num projeto ambicioso de introdução de mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada e diferentes setores e retomada do crescimento. A Perestróica visava reduzir os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores comerciais, industriais e de serviços nas mãos de proprietários privados nacionais ou estrangeiros. Só que essa reforma não soube o que fazer com os mísseis nucleares e seus engenheiros, cientistas e oficiais militares que residiam nas repúblicas separatistas. Aliás, este separatismo fazia parte do pacote de reformas, porém o arsenal foi deixado em segundo plano. Deu no que deu: centenas de apreensões feitas pelas marinhas norte-americana, francesa e inglesa de dispositivos, peças para montagem de centrífugas e contrabando de plutônio enriquecido se sucederam nestes 28 anos. O vasto material que passou ou foi entregue e montado por estes cientistas militares, aperfeiçoa hoje, as máquinas da morte de alguns líderes de nações terroristas como a Coréia do Sul. Com as bênçãos de China e Rússia, sentem-se à vontade para ameaçar que quer que seja.

                  Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a derrota de Hitler e do Império Expansionista Japonês, a grande ameaça ao “Tio Sam” e à Europa sofisticadamente capitalista, passou a ser o Comunismo. Este “fantasma” pronto para comer as criancinhas do mundo, a confiscar os seus bens e a aterrorizar o ‘status quo’ coletivo.  O Comunismo manifestado por Karl Marx e Friedrich Engels seria um sistema socioeconômico que negaria a propriedade privada dos meios
de produção. Os meios de produção são de propriedade comum a todos os cidadãos e
são controlados por seus trabalhadores.  Sob tal sistema, o Estado não teria necessidade de existir e seria extinto. Como o cristianismo e outros “ismos”, Marx e Engels foram sabotados.  O Comunismo que urgiu no começo do século, cuja Rússia foi o primeiro “Estado Moderno” a adotar o regime, foi um sistema de governo bolado por espertinhos e que consistia na dominação do povo por uma minoria que vivia nababescamente enquanto o povo recebia o mínimo necessário para sobreviver. Na Rússia o povo ganhava muito pouco e, além disso, não tinha nem onde gastar esse pouco porque os supermercados viviam às moscas, sem mercadorias. Enquanto isso os membros da "nomenklatura" (a classe dirigente) tinham tudo do bom e do melhor. E o mundo conheceu esta face, que na teoria dos manifestos visava diluir a pobreza e a desigualdade, tornava-se um estorvo sem precedentes fechado por uma cortina de aço.

                   Os Estados Unidos da América eram um território habitado por indígenas seminômades no final do século XV, quando Cristóvão Colombo, um navegador cuja inteligência era limítrofe e teimoso ao extremo, descobre a América. Entre os séculos XVI e XVII, os espanhóis exploraram a Flórida e o Colorado; os portugueses, a Califórnia; os franceses, o vale do Mississippi; e os holandeses fundam a colônia de Nova Amsterdã – tomada em 1664 pelos ingleses, que rebatizam sua capital como New York. Mapeado por William Hack, um inglês fabricante de mapas, porém longe de ser um cartógrafo. Para trabalhar nas colônias britânicas, escravos negros foram trazidos da África a partir de 1619. No ano seguinte, uma seita de presbiterianos ingleses, mais rigorosa, conhecida como "puritanos", funda Plymouth... Entre 1630 e 1640, uma grande migração de colonos britânicos povoa Massachusetts e Connecticut. O regime de relativa autonomia de que gozam os povoadores das 13 colônias britânicas é alterado entre 1764 e 1775, quando a Inglaterra aumenta os impostos e lhes restringe as atividades econômicas. Em resposta às medidas, as colônias declaram guerra à metrópole em 1775 e, em 04/07/1776, dá-se na cidade de Filadélfia (no Estado da Pensilvânia) a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América.
   
              O reconhecimento da soberania norte-americana ocorre em 1783. A Constituição dos Estados Unidos é escrita e ratificada pelos 13 estados, entrando em vigor em 1789, quando George Washington torna-se o primeiro presidente dos EUA. Durante o século XIX, o país expande seu território até o Pacífico por meio de compra de possessões, guerras e conquista de territórios indígenas. Em 1803, a Louisiana é comprada da França. Em 1819, a Flórida é adquirida da Espanha. Entre 1846 e 1848, na guerra contra o México, os EUA conquistam a região que vai do Texas à Califórnia. Entre 1848 e 1850, a chamada corrida do ouro atrai mais de 80 mil pessoas à Califórnia. Novas migrações para o oeste, de 1850 a 1890, dizimam as tribos indígenas rebeldes. A conquista de territórios se estende até o Alasca, comprado da Rússia em 1867. Nascia ali o Império Capitalista, a "Roma Moderna" que mudaria o mundo e seus costumes até os dias de hoje. Belicistas por natureza, os Yankes ajudariam a incendiar um pouco mais o mundo conhecido e seria a antítese mais poderosa do Socialismo Europeu. Depois que o ultimo canhão se calasse na Segunda Guerra Mundial, o mundo conheceria outros demônios tão terríveis quanto os nazistas, fascistas e imperialistas japoneses, porém; agindo com as bênçãos e concessões da legitimidade. Os assassinos institucionais matariam até o Terceiro Milênio em nome da “liberdade”.

               A Guerra que dividiu a Coréia em dois territórios foi primeira batalha militar a opor capitalistas e socialistas, deixando o mundo quase à beira de uma guerra nuclear. Semente esta, plantada em 1945, com o fim da Segunda Guerra. Na ocasião, a Coréia (na época, ainda um único país) estava ocupada pelos japoneses que começavam a se render às tropas aliadas. Os dois principais líderes do bloco, os Estados Unidos e a União Soviética, concordaram em dividir a rendição: os soviéticos receberiam as tropas nipônicas que estivessem na parte norte da Coréia, acima da latitude de 38 graus, enquanto os americanos cuidariam dos soldados do sul. Esse episódio acabou fracionando o país e gerando as duas Coreias. A do Norte, ligada à União Soviética, se tornou comunista. A do Sul continuou abraçada ao capitalismo, apadrinhada pelos americanos.

                O Presidente Henry Truman, que havia sido eleito para um novo período em 1948, sabia que a União Soviética tinha forças colocadas em posição de ataque em uma dúzia de lugares estratégicos da Alemanha à Turquia. Era evidente que eles não desejavam esperar que a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se tornasse poderosa. Em junho de 1950, chegava a noticia de que a Coréia do Norte, armada com tanques e aviões russos, havia ultrapassado o Paralelo 38 em busca da expansão de seu território e encontrava às portas de Seul, capital da Coréia do Sul.

                Embora os EUA tivessem declarado por inúmeras vezes que jamais interviriam na região depois do mar de sangue em que já havia mergulhado há Ásia cinco anos antes e do General Douglas Mac Arthur, herói condecorado da vitória do Pacífico, tivesse dito que qualquer pessoa que considerasse conveniente o envolvimento de forças norte-americanas na Ásia deveria mandar examinar a cabeça, Truman e seus conselheiros sentiram a necessidade de uma ação imediata. Em 24 horas o presidente anunciou que estava enviando forças aéreas e navais dos EUA para a Coréia do Sul que e havia ordenado que a Sétima Frota Naval protegesse Formosa.
   
                 Durante seis semanas os sul coreanos, americanos e outras forças formadas travaram uma batalha sangrenta em que nenhum um lado nem outro sediam um metro sequer. Os norte-coreanos mostravam uma bravura fanática. Muitos deles haviam lutado nas fileiras chinesas,. Japonesas ou russas durante a Segunda Grande Guerra. Além do mais, possuíam excelente equipamento soviético, especialmente tanques e eram superiores em números. Porém o Oitavo Exército Americano aguentou firme e com as tropas da ONU retomando a ofensiva, desembarcaram em Seul e neutralizaram o inimigo. No final de setembro, Seul se encontrava novamente nas mãos de Syngman Rhee, presidente da Coréia do Sul na época. E logo depois as tropas defensoras já perseguiam os invasores do outro lado do Paralelo 38. Uma questão crucial agora teria que ser respondida: as forças da ONU deveriam parar ou continuar o avanço até subjugar toda a Coréia do Norte e unificar o país? Mac Arthur estava convencido que se avançasse e perseguisse o inimigo além do Rio Yalu, fronteira com a Manchúria e a Sibéria, iria tomar as montanhas, conseguir mais gente e capturar mais tanques e a aviões russos para renovar o ataque. Só que havia um, porém perigoso neste caminho de ambições do general yanque: ele acabaria indo mais longe do que deveria. O Ministro das Relações Exteriores da China, Chao Em-Lai, afirmara dias antes que os chineses não assistiriam de braços cruzados à invasão de seus vizinhos e aliados norte-coreanos. Quando parecia que a resistência norte-coreana havia terminado por completo, as tropas norte-americanas encontraram, a 30 de outubro, grandes unidades de tropas chinesas a cerca de 75 quilômetros ao sul do Yalu. Reconhecimentos subsequentes davam conta de que os chineses tinham concentrado um exército de cerca de 850.000 homens na Manchúria e estavam movimentando unidades avançadas em direção à Coréia do Norte.

                Mac Arthur, ansioso por descobrir os objetivos chineses, resolveu pagar para ver. Ordenou ao oitavo Exército iniciar uma ofensiva geral em 24 de novembro. A decisão de Mac Arthur foi um erro estratégico e quase fatal, pois os chineses contra-atacaram em 26 de novembro e dividiram quase que completamente as duas alas norte-americanas e praticamente dizimaram as forças da Coréia do Sul. O Oitavo Exército se retirou para a área de Seul. Após duas semanas de luta desesperada, o que restava da segunda divisão de Fuzileiros Navais e de três divisões coreanas chegava ao porto de Hungnan, sendo evacuada para a linha principal de defesa das Nações Unidas numa das operações mais espetaculares da história da guerra moderna. No dia 16 de Dezembro, o Presidente Truman declarou estado de emergência nacional.



@image:dreamstrime

                 A luta na Coréia, no inverno de 1951, foi provavelmente uma das mais cruéis da história americana. O frio e as tempestades; o terreno acidentado com montanhas escarpadas, pântanos traiçoeiros e rios sem pontes; a ferocidade de um inimigo que não concedia quartel; a natureza desesperada e determinada das batalhas e que, às vezes, regimentos inteiros deixavam-se dizimar por horror de serem capturados pelo inimigo. Tudo isto transformava a luta em uma experiência penosa. E Abril de 1951 os comunistas realizaram dois ataques ferozes que custaram 200.000 vidas. As retaliações das forças americanas, mais a ONU foram igualmente carniceiras e os capitalistas cruzaram mais uma vez o Paralelo 38, a Coréia do Norte foi quase que totalmente destruída. No meio deste fogo cruzado, a política ia mal, a opinião pública horrorizada com a possibilidade de uma terceira guerra mundial. Boatos de que Truman ordenaria mais cedo ou mais tarde ataques nucleares contra a Coréia do Norte e a China se chegavam cada vez mais perto da realidade. Truma destituiu Mac Arthur e a possibilidade de um cessar fogo passou a ser negociada. A URSS abriria A negociações na ONU no começo de 1952 e os EUA reconheceriam assim a soberania japonesa.


             Nesta farra de bombas do Capitalismo VS Comunismo, 2,5 milhões de mortes, a maioria de civis inocentes, fora a conta da aventura geopolítica entre EUA, URSS e China. O cessar fogo foi acatado, os norte-americanos retiraram a maior parte de seu contingente até dezembro de 1953. As duas Coreias permaneceram divididas e destruídas. O armistício das duas nações não foi oficializado, o que se conclui que as duas Coreias ainda estão tecnicamente em guerra. As ameaças da Coreia do Norte se repetiram ao longo destes anos, e aumentaram de dois anos para cá, quando é, praticamente, reconhecido seu poderio nuclear. As provocações por parte dos Comunistas do Norte são antigas e com a ascensão do Gordinho Retardado ao poder e no comando do exército, podem chegar ao extremo. Em 27 de julho próximo, completam 60 anos de um cessar fogo que não convenceu a humanidade. O Teatro de Cretinices continuará, até que alguém tome a infeliz iniciativa de apertar o tão temido botão vermelho do seu arsenal atômico.


Imagens: Dream Strime


Cretinices que Custam Vidas





sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Muros de pedras:
Sem política cultural, Minas Gerais 
perde seus antigos muros

Por Pepe Chaves*
De Belo Horizonte-MG
1º/11/2013 
Rótulo do dvd 'Muros perdidos em Minas Gerais',
que vai ser lançado em 2014.

Este ano parti para uma empreitada desafiadora: a produção do dvd "Muros perdidos nas matas de Minas Gerais", mostrando o descaso com as mais antigas construções da velha capitania. São muros de pedras perdidos nas matas, ou melhor, o que resta deles, ainda se encontra no alto das colinas mais inacessíveis. Muitas destas construções, que nem sequer foram ainda devidamente estudadas, estão sendo extintas pela exploração imobiliária na região de Itaúna-MG, local em que se passa o nosso documentário. 


Para muitos, estes muros teriam sido um legado dos escravos que habitaram a região nos séculos 18 e 19. No entanto, outras possibilidades surgem depois de algumas pesquisas de campo, propondo que a datação destas construções possa ser muitíssima mais antiga do que é comumente proposto.

Detalhe do muro de pedras na Mata da Onça,
em terreno da Prefeitura de Itaúna.

Entretanto, ainda que se trate de arquitetura de escravos, estas são as obras arquitetônicas mais antigas do município de Itaúna. No entanto, apesar dos nossos várias alertas, as autoridades locais nem sequer reconhecem a importância histórica e cultural destas construções, que têm sido destruídas para o uso de suas pedras na construção civil. Dois grandes muros foram destruídos recentemente em colinas da cidade, no bairro Veredas e no bairro Belvedere, quando do surgimento desses bairros.

Não há nenhum trabalho de conscientização por parte das autoridades junto à população local, que vê nestes muros, apenas um amontoado de pedras, prontas para serem usadas nos alicerces ou muros de suas casas.

Detalhe do muro situado próximo ao bairro Cidade Nova, em Itaúna-MG.

Além de mostrar cinco distintos muros, com suas metragens, tipo de pedras e principais características, este documentário também registra a fauna e flora locais, nas belas paisagens da periferia de Itaúna. Ao longo desse trabalho, vários exemplares de animais nativos foram flagrados pela nossa reportagem e, igualmente às construções de pedras que mostramos, estão também ameaçados pela rapidez do avanço urbano na região de Itaúna.

O principal propósito da produção deste trabalho é abrir diálogos e discussões sobre estas enigmáticas e desprezadas construções históricas. Bem como, soa como um novo alerta, para que as autoridades do patrimônio e da cultura de Itaúna, como o CODEMPACE, o Ministério Público (Meio Ambiente), além da sociedade civil, abram os olhos para esta nossa riqueza e se mobilizem para salvar o que ainda resta das velhas construções que atravessaram séculos para chegar aos nossos tempos. 

Este trabalho é escrito e dirigido por mim, com a participação especial do pesquisador itaunense J.A. Fonseca e trilha sonora original por Dery Nascimento e Edson Frank. A produção desde trabalho conta também com a colaboração de três pesquisadores do exterior, o arquiteto uruguaio radicando do Rio de Janeiro, Carlos Pérez Gomar, o arqueólogo italiano radicado em Bogotá, Yuri Leveratto e o pesquisador arqueológico russo Oleg Dyakonov, de Moscou.


'Não há nenhum trabalho de conscientização por parte das autoridades junto 
à população local, que vê nestes muros, apenas um amontoado de pedras, 
prontas para serem usadas nos alicerces ou muros de suas casas'.

Agradeço ao blog Política & Afins, por abrir este espaço para divulgarmos estes valores de Minas Gerais, tão ignorados pelas comunidades e autoridades, mas jamais por aqueles que amam a nossa história, etnologia e arqueologia.

Em breve estarei postando o novo trailer aqui e trazendo mais informações da produção. Quem desejar colaborar de alguma maneira, encomendando o dvd, opinando ou sugerindo, favor entrar em contato: pepechaves@yahoo.com.br.

Para saber mais sobre os antigos muros e acessar nosso programa Matas de Minas (TV FANZINE), apresentando videos exclusivos e inéditos de alguns dos muros de pedras que visitamos no interior de Minas Gerais, clique aqui.

Venha comigo nessa viagem pelas matas de Minas...

* Pepe Chaves é editor do diário Via Fanzine e produtor para a TV Fanzine - BH/MG

- Fotos: Pepe Chaves.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Uma Breve História sobre o Movimento Preto Bloc


Uma visão geral do que há por trás dos
Homens e Mulheres de preto


Por Antonio Siqueira
@image:BerlimMorgenPost 

















   



         Eles não surgiram a partir das manifestações antiglobalização em 1999, em Seattle, ou das de Gênova, um ano antes. Sua origem é bem mais antiga e remonta aos autonomistas europeus do final dos anos de 1960, que queriam libertar-se da “ganância, violência e da imensa e inumana burocracia estatal”. Só através de uma abordagem mais completa de sua história poderemos entender por que esses ativistas de preto protegem as manifestações da violência do Estado.

         No final da década, a repressão estatal aos movimentos de protesto em geral acabou por provocar uma radicalização da esquerda italiana, que redundou na morte de Aldo Moro. O fato sangrento deflagrou mais repressão estatal e o fim da possibilidade da continuação de qualquer movimento da contracultura radical no país. Mas aquela movimentação não havia passado despercebida da juventude alemã, que iria vestir o negro em protestos dez anos depois da derrota dos autonomistas italianos.

          No país germânico, a juventude alemã enfrentava um problema na década de 1980: haviam ficado de fora do arranjo antirrecessão que protegia trabalhadores, desempregados sindicalizados, o empresariado e o sistema financeiro. As políticas sociais alemãs, tão elogiadas mundo afora, não foram suficientes para atender os problemas da juventude. O sistema de bem-estar social havia amparado bem a sociedade alemã durante a recessão da década, mas não havia empregos ou horizontes de independência financeira para o jovem alemão, que não conseguia sair da casa de seus pais. Nessa década, a então Berlim Ocidental apresentava um cenário urbano comum a muitos países desenvolvidos: a decadência no centro das cidades e a fuga da burguesia para os subúrbios. O Black Bloc nasceu envolvido numa atmosfera de violência e luta. As invasões de imóveis desocupados continuavam em várias partes da Alemanha. O Estado alemão, por sua vez, tratava a situação de dois modos: tentava cooptar parte dos autonomistas e oferecia a possibilidade de legalização para alguns, enquanto prosseguia com os despejos da maioria dos invasores. Cada despejo era seguido de uma nova ocupação e muita violência da policia estatal. A nova forma de militância e protesto emergiu e chamou a atenção da imprensa depois que a polícia alemã atacou brutalmente militantes ambientalistas na municipalidade de Gorleben, na Baixa Saxônia, que criaram a “República livre de Wendland“: um grupo de cinco mil ativistas pacíficos que decidiu ocupar uma parte queimada de floresta para “dramatizar suas posições” contra a construção de um depósito permanente de lixo nuclear no local. No dia 4 de julho de 1980, a polícia e os guardas federais de fronteira impuseram um rude final à curta experiência dos ambientalistas. A brutalidade da repressão contra um movimento pacífico desde seu início chocou os autonomistas (ou autonomen), que a partir daí conceberam a tática Black Bloc. Afinal, se a repressão foi tão massacrante contra pacíficos ambientalistas, o que seria de anarquistas radicais invasores de prédios? A ideia da tática surgiu da solidariedade entre movimentos distintos, mas igualmente radicais e voltados para a transformação da sociedade. Por isso até hoje a formação é empregada por diferentes movimentos. Pela partilha de agruras similares registradas na história, o Black Bloc protege manifestantes e protestos da ferocidade policial. Mesmo quando não são anarquistas. Compreende-se então que “Black Bloc" é uma forma de militância que rompe a problemática dicotomia entre ativismo não-violento praticado pela população e o terrorismo, guerrilha e sabotagem da elite.


Seattle: Black Bloc se engendra na destruição do distrito financeiro central.
O look inicial Black Bloc na Alemanha incluía capacete de motociclista preto, máscara de esqui, roupa (preta) acolchoada e botas com bico de aço. Aqueles que podiam levavam escudos e cassetetes. A formação Black Bloc conseguiu trazer força e solidariedade para os movimentos radicais na Europa, mas pouco a pouco alguns anarquistas entenderam que a tática já havia dado tudo o que poderia dar. Que a polícia já havia superado o choque inicial de ser recebida a cacetadas e coquetéis molotov.  Após a reunificação alemã, os movimentos oriundos da contracultura começaram a entrar na mira dos crescentes movimentos neonazistas. O que lhes retirou tempo para pensar e desenvolver alternativas de uma sociedade menos autoritária que a nossa. A ascensão da extrema-direita radical na Alemanha impôs um recuo inesperado ao movimento anarquista e a prática da tática Black Bloc na Europa. Nos Estados Unidos, desde os protestos de 1999 em Seattle, o os homens de preto tem tido presença constante nas manifestações populares no país.


        As redes sociais e as novas realidades em outros continentes ofereceriam novos “fronts” para esta forma de luta urbana solidária anos depois das primeiras críticas dos anarquistas ao Black Bloc feita antes do desenvolvimento da web. O tempo de mobilização da população popular diminuiu muito e a organização virtual leva o planejamento da ação à sua execução em muito menos tempo. Além disso, novas iniciativas populares de ativismo de mídia em base tecnológica, como a Mídia Ninja, ajudam a criar um novo ambiente de luta e protestos urbanos em que o indivíduo desorganizado, que não faz parte de nenhum partido político ou sindicato, tenha sua voz e sua vez nas ruas. Até por que, no capitalismo moderno as relações e descobertas políticas não têm o menor tempo para calcularem seus ganhos e perdas, rapidamente vem o capitalismo a cooptá-los. Até agora, me parece, não conseguiram com a tática black bloc. E não conseguiram porque se trata exatamente de uma tática, volátil e em certa medida inerte, que se comporta como meio para acirrar as disputas, denunciar uma conciliação falsa entre opressores e oprimidos sem ter como alvo a extinção da opressão. Provavelmente a violência estratégica dos Black Blocs não serve ainda a este propósito. Acredito que o receio dos ideólogos resistentes seja mais por notar em contraste a deterioração de suas saídas políticas que por uma crítica honesta.




No Brasil movimento esbarra na falta de informação, no desconhecimento e total ausência de semântica
anonymous brasil: lamentável!


              A ideologia Black Bloc baseia-se na proteção de manifestantes contra a brutalidade insana da Policia Estatal e questionamento da "ordem vigente". O que ocorre no Brasil é o oposto da ideologia germânica-européia. Aqui em terras tupiniquins, eles se manifestam contra o capitalismo e a globalização, de maneira errônea e sem critério ou tática pré-estabelecida. Está sendo mal interpretada e, muito pior, mal usada nas ruas do país; Alias, como tudo. O brasileiro tem um déficit de compreensão em relação à culturas estrangeiras que tenta copiar. Só que o Black Bloc não é um movimento cultural, é um 'movimento autonomista de proteção popular'. Não é moda... NÃO É MODISMO E SIM NECESSIDADE! Mas não aqui, onde tudo é feito "nas coxas". Aqui, contrariando a tudo e toda lógica, como sempre, quebram lojas, roubam pequenos e médios empresários, espancam covardemente servidores públicos e o símbolo máximo do “Movimento dos filhos do PT e das Elites”, é a máscara imbecil de Guy Fawkes, um fracassado que com toneladas de pólvora sob sua responsabilidade, não foi capaz de explodir o Parlamento Britânico em 1605, sendo assim torturado, enforcado e esquartejado depois de uma semana de intensa tortura e de assinar sua confissão admitindo a sua participação no movimento que ficou conhecido como “A Conspiração da Pólvora”. Com fins unicamente católicos, isto mesmo: a intenção era derrubar a Igreja Anglicana, somente e tão somente.  Enfim... É preciso que, antes de tudo, haja uma Revolução Cultural depois que nos livrarmos do PT e de todo e qualquer partido político atuante no Brasil! E que ainda aguardemos, esperançosamente, uns 70 anos para que as coisas mudem. Medidas como controle da natalidade, pena de morte a toda e qualquer modalidade de corrupção e EDUCAÇÃO + FORMAÇÃO + CAPACITAÇÃO em primeiro lugar. Antes de tudo, tudo, tudo; uma REFORMA EDUCACIONAL radical e severa. Talvez em pouco menos de um século, vocês terão uma CIVILIZAÇÃO razoavelmente justa e evoluída.


Fonte: GHDI 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Com a palavra: Aílton Araújo



...dos absurdos

        Aílton Araújo



Arte: @antoniosiqueira








   





   





     Conseguir ingressos para visitar o Cristo Redentor,
virou uma tarefa para cruciferário.
O gênio Rodrigo Bethlem,que de santo não tem
nada,conseguiu transformar um dos maiores pontos
turístico do mundo,numa zona total.
A observância das leis é o prato prediléto
desse governo de mauricinhos da Barra
da Tijuca.

     Rodrigo e Eduardo Paes,
são criação do cientista louco César Maia,
que já entrou num açougue e pediu
um picolé. O desperdício de factoide é o tema
da gestão Eduardo Paes.

     Penso que até a copa do mundo
ele vai entrar com um projeto transferindo o pão de açucar
para a serra do Mendanha.
   
     Quanto ao Cristo: ele continua lá,com os braços abertos,
abençoando a cidade maravilhosa, apesar desse monte
de Mequetrefes...


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O diabo é o campeão de vendas

Deus no banco dos réus
Por Antonio Siqueira






   















     Uma mulher entrou na Justiça contra a Igreja Universal do Reino de Deus e conseguiu receber de volta seus dízimos. De acordo com uma publicação do jornal “Extra”, a mulher recebeu uma grande quantia de dinheiro após realizar um serviço e foi induzida pelo pastor a reverter o montante para a instituição religiosa. Pouco depois o homem fugiu da igreja, resultando em um processo de depressão na fiel, que ficou sem emprego e na miséria.

    O processo, acompanhado pela 5ª Turma Cívil do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) confirmou a sentença, determinada pela 9ª Vara Cível de Brasília. Nela, a Igreja Universal do Reino de Deus deverá devolver os R$ 74.341,40 doados à antiga freqüentadora, além de acrescer juros de mora de 1% ao mês.

     A doação foi realizada a partir de dois cheques compensados em dezembro de 2003 e janeiro de 2004. Entretanto, a mulher decidiu acionar a Justiça somente em 2010, quando sua situação financeira já estava seriamente prejudicada. Apesar de ter recorrido, a Igreja Universal do Reino de Deus não conseguiu cancelar a decisão. A igreja ainda chegou a afirmar que a mulher era uma empresária e que tinha rendimentos para poder se sustentar caso doasse o montante, na tentativa de se defender.

     E 1998, sorrateiramente e disfarçado de “fiel”, penetrei em um templo de absurdos desta igreja. Gravei, presenciei fatos perturbadores e entrevistei alguns obreiros e freqüentadores. Vi de tudo, até doações de animais de subsistência como cabras, vacas e galinhas, relógios, jóias como alianças de casamento, cheques preenchidos e assinados no ato e dinheiro em todos os valores possíveis em espécimes. Os pastores aliciavam suas vítimas em um ritual macabro de coação e extorsão, sob ameaça do produto mais consumido em quase todos os segmentos religiosos: O diabo. Sim, o diabo, do latim diabolus, por sua vez do grego diábolos, "caluniador", ou "acusador", também conhecido como, Satã, Asmodeu, Azazel, Belzebu, Tinhoso, 'Coisa Ruim', Cramulhão; Na teologia católica, especialmente Agostiniana, o Diabo é a representação de tudo o que Deus não representa: perversidade, apatia, tentação, luxúria, morte, destruição, com Deus representando a Luz que existe, e o demônio, as trevas, ou seja, a ausência da Luz. Referências Bíblicas: Isaías 14, Ezequiel 28 e Apocalipse 12. Este “senhor” é o maior produto de marketing do cristianismo, seja ele romano, luterano, anglicano... O diabo vende... E como vende!

    _Se você não pagar, o diabo te devora! 
    _Então Deus também está no "banco dos réus" e só lhe protege do demônio se você pagar um dízimo e, quanto maior este o for,  melhor a proteção? O que é Deus? Uma espécie de "miliciano das galáxias"?

      O dízimo nas religiões abraâmicas foi instituído na Lei de Moisés, estipulado para manter os sacerdotes e a tribo de Levi, que mantinha o Tabernáculo e depois o Templo, já que eles não poderiam possuir herdades e territórios como as outras tribos, não para livrar ninguém do diabo ou das maldições como doença e miséria que a eles são associadas. Historicamente eram pagos na forma de bens, e encontra suas origens no Sacerdócio Levítico judaico (Lv 27, 30-34). Por ser Cristo sacerdote segundo a Ordem de Melquisedec, ab-rogou o sacerdócio levítico com todas as suas as leis, dízimos e costumes, conforme narra São Paulo na Carta endereçada aos Hebreus (Hebr 7, 1 - 28). Citando consecutivamente a questão do dízimo nos versículos precedentes, São Paulo arremata: "Com efeito, mudado que seja o sacerdócio, é necessário que se mude também a lei" (Hebr 7, 12). E ainda: "O mandamento precedente é, na verdade, arrogado pela sua fraqueza e inutilidade" (Hebr 7, 18). Continuam deturpando as escrituras, essas que já saíram das cavernas do Mar Morto, sabotadas pelos mesmos fariseus que destruíram Jesus de Nazareth.

      Nesta experiência bestial, eu contei, exatamente,  87 menções ao Demônio.  A partir do séc. IV,  o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, a religião cristã se propagou com uma velocidade extrema. Muitos santuários e templos pagãos foram destruídos, e em seus lugares são construídos igrejas cristãs. Durante sua tentativa de arrecadar novos fiéis e destruir religiões inimigas, a Igreja Romana distorceu, não apenas o significado de tais deuses, como suas imagens e qualidades, associando-os a figuras de seres horrendos e maléficos. Deste modo, o que era tido como símbolos sagrados e benéficos para outros povos passaram a ser vistos como símbolos maléficos para a cultura cristã, associados à imagem do Diabo. E esta crença cresceu, tomou forma e vida na cultura humana. O luteranismo adotou a imagem do demônio em meados do séc. VI e talvez tenha sido uma estratégia para poupar os seguidores de Martin Lutero da inquisição. O problema é que, apesar da visão do demônio ser deveras metafórica em outros segmentos, não faltou quem a deturpasse, tirasse e continuasse tirando proveito deste fenômeno cultural; a luta constante contra o tinhoso. Lutero não era idiota, tampouco safado. Arrisco-me a afirmar que Deus é menos importante que a figura do "Cão" nestas igrejas. O diabo é um inimigo a ser batido, Deus é por si só o bem, ao menos teoricamente. Sem ter com quem lutar e paz celestial, o ser humano não dá lucro.

      A pena de morte deveria existir sim por aqui, para crimes deste tipo, crimes contra a fé e apoiados na miséria e na ignorância. E esta ignorância, aos poucos, vai destruindo o planeta humano, extinguindo valores, sentimentos e GENTE.



domingo, 3 de fevereiro de 2013

Para depois da quaresma






 
Impressões Cretinas

      Por Antonio Siqueira


A Vampirologia Moderna

      O Senado elegeu o Renan Calheiros para a presidência da casa pela segunda vez e em seu discurso de posse, este declarou: “José Sarney é um visionário”. Não demora e teremos de construir pirâmides para sepultar esses “visionários”, isto se estes um dia, vierem a morrer.

       Renan Calheiros, Senador do PMDB da República das Alagoas, foi afastado da presidência do Senado Federal em 2007 por roubar dinheiro público para sustentar uma jornalista periguete que, inclusive, aproveitou a fama repentina de puta de luxo para posar nua para Playboy. Renan pagou até cirurgia plástica para a moça, jornalista que resolveu trocar de profissão, haja vista que a mais antiga, bem usada, seria mais rentável. A lista não é pequena: a compra de rádios em Alagoas, em sociedade com João Lyra, em nome de laranjas, o ganho com tráfico de influência, junto à empresa Schincariol, na compra de uma fábrica de refrigerantes, com recompensa milionária, o uso de notas fiscais frias em nome de empresas fantasmas (encaixa-se aí o falso álibi dos bois “vendidos” para a compra de uma casa para a vaca em questão), para comprovar seus rendimentos, a montagem de um esquema de desvio de dinheiro público em ministérios comandados pelo PMDB; e a montagem de um esquema de espionagem contra senadores da oposição ao governo Lula.

      O Senado da República Federativa do Brasil lembra e muito o Senado Romano, especialmente na era Juliana. Todo tesouro público da, ainda República Romana, era desviado para as orgias nauseantes da aristocracia e da nobreza decadente. Ter duas ou três putas à disposição ou rapazes, geralmente escravos bem dotados, era regra na putaria generalizada do Fórum da Roma dos anos 38 AC. Com o golpe de Augustus sobre seu triúnviro, e sua conseqüente ascensão a Princeps, O Primeiro Cidadão, a moral e a administração das finanças públicas foram regularizadas e viraram lei. Durante os primeiros séculos da História de Roma, a construção do direito esteve nas mãos dos sacerdotes, ou seja, dos pontífices. Eles foram os responsáveis por definir o comportamento social dos ‘patres’, isto é, dos chefes das gentes, das famílias extensas que formaram os primordiais núcleos sociais da Roma Antiga. Um prato feito para a tirania, a corrupção e devassidão que tomou conta da velha Roma. A história se repete com força por aqui, muitas das leis que temos são do tempo do Império Luso, do Brasil Colonial, escravagista e agrário.

      Corrompe-se no mundo todo, mas no Brasil as coisas estão ganhando contornos trágicos para o quadro social, pois tudo se ”arranja” com um chorinho, com um trocado. Você se livra de uma blitz policial com uma nota de 20. E este Governo que aí está nada pode fazer por falta de adendo moral. Lula, por si só, desgraçou o que restava de decoro e autoridade ao PT. Resta ao povo dizer NÃO, mas como? O carnaval está aí.
Quem sabe, depois da quaresma, alguém se toca.



"A corrupção de um é a geração de outro."
(Dante Alighieri)





quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Passo Piraju é barbárie consentida pela FUNAI



ATENÇÃO: PEDRO RIOS LEÃO, ÚNICA TESTEMUNHA NÃO INDÍGENA NA ALDEIA DE MATO PIRAJU DENUNCIA O ESTUPRO DE UMA ÍNDIA POR HOMENS NO CARRO DO PREFEITO IGUATEMI


"NOTICIAS DO MS....

Pedro Rios Leão
"Opa, desculpa sumida. Estou imerso há 3 dias na aldeia de Passo Piraju, sou o único branco no lugar e não consegui acessar a internet, estou tentando conseguir uma antena para estender meu contato até lá. O clima é muito tenso, o despejo foi decretado. Sexta feira, enquanto o latifundiário Gino Ferreira, ex-vereador, cobrava o despejo, uma índia em pielyto kwe foi espancada e violentada enquanto transitava para fora da aldeia. Ela estava em um carro com outros índigenas e foi a única que não conseguiu escapar. A caminhonete que interceptou o carro pertence ao Zé Roberto, prefeito da cidade de Iguatemi.
O deputado Fernando Gabeira esteve em Dourados e queria visitar Passo Piraju e Pielyto Kwe, foi impedido pela própria FUNAI que também impediu que as lideranças indígenas chegassem perto do deputado.
O clima é de barbárie total e a minha presença incomoda e muito os fazendeiros.
Ah, e os pistoleiros não são meros capangas de fazendeiros, são empresas de segurança privada barbarizando com a constituição e assassinando os índios a sangue frio com as bençãos da polícia civil, muitas vezes com livre acesso a todos os terrenos por usar viaturas da polícia civil. Empresas como SEPRIVA e GASP. Eu estou trabalhando muito junto a aldeia e não tenho mais como articular com o pessoal de fora, mas por favor, não deixem de trabalhar. Está muito muito obscura a situação no mato grosso do sul. A FORÇA NACIONAL TEM QUE REMOVER OS FAZENDEIROS DO TERRITÓRIO INDÍGENA.

Consegui analisar alguns documentos, entendo a urgência que muitos que me acompanham esperam mas a informação necessária é simples: está acontecendo um massacre, e nem a demarcação resolve, porque os fazendeiros não cumprem, matam, estupram, roubam, aterrorizam, e não são punidos, e a própria FUNAI tenta encobrir os absurdos. O governo federal tem que mandar proteção urgente para os índios e mesmo a minha vida corre risco enquanto eu estiver aqui registrando.

É preciso que continue a se forçar uma atitude do governo federal, que na era Lula deixou matar bem mais lideranças indígenas do que no governo do nefasto FHC. (podem pesquisar, eu juro que não é implicância minha) Assim como na reforma agrária foi mais latifundiário que os Tucanos. Esse é o preço da parceria com Sarneys e Barbalhos. Eu peço, para a própria base petista, para que tome uma providência. Que peça ação urgente por dentro do partido.

E amigos, não me deixem ser o único "Caraí" no fogo cruzado. Pressionem os jornalistas, os deputados, quem puder. Está assustador. Se acontecer alguma coisa comigo, a culpa é do PT."
Enviado por Pedro Rios Leao.

Pedro é um dos membros efetivos do Tribunal Popular....ele é mais um dos TPs ameaçados por tentar defender os direitos constitucionais dos arts 5°, 231 e 232 da nossa carta magna...."